Resumo do segundo encontro –
11/09/2011
Amigos – Diálogos de
Capacitação e Meditação
Apresentação do Espaço Francisco e da Ong Meditadores.
Espaço dedicado à saúde. A
palavra “saúde” encontra sua raiz na palavra “são”, que significa “inteiro”
(total, completo); isto é, para ser saudável é preciso estar inteiro (shalem em hebraico). A meditação é um
método que acessa nossa integridade como ser humano e nos permite “estar
inteiro”. “O homem sempre sentiu que a totalidade ou integridade é uma
necessidade absoluta que faz com que a vida seja digna de ser vivida.” David Bohm, Totalidade
e a Ordem Implicada, Ed Madras
AS APARÊNCIAS ENGANAM
2 histórias: A menina e o
mendigo e A monja e o pedinte.
Sabemos que as aparências
enganam, não é? Então, por que nos deixamos enganar por elas? E como podemos
nos proteger contra desse tipo de engano?
Deixamo-nos enganar porque,
ao ver meras aparências, acreditamos que existe uma realidade fora de nós,
esperando para ser conhecida por nós;
nunca imaginamos que interferimos, de alguma maneira, nela. Nas palavras
do físico David Bown: “existe uma fragmentação da consciência humana que nos
leva a distinguir entre as pessoas (raça, nação, família, profissão, etc.),
distinguir entre amigos, inimigos e estranhos. Essa falsa discriminação impede que
a humanidade trabalhe em conjunto para o bem comum e até pela sua própria
sobrevivência.” Alimentamos um tipo de pensamento que trata as coisas como se
fossem inerentemente divididas, desconectadas e separadas em partes constituintes
menores ainda. Cada parte é considerada essencialmente independente e
auto-existente.
Quando o homem pensa em si dessa maneira, ele
inevitavelmente tende a defender as necessidades do seu próprio ego contra o
dos outros; ou seja, quando ele se identifica com um grupo de pessoas do mesmo
tipo (amigos), ele defende o grupo de modo similar. Não consegue pensar na
humanidade como sendo uma realidade básica, cujo direito vem antes. A visão que
temos de uma pessoa influencia nosso relacionamento com ela.
Se nos aproximarmos de outra pessoa com uma teoria
fixa sobre ela, considerando-a, por exemplo, como um “inimigo” do qual devemos
nos proteger, essa pessoa reagirá de forma similar e, consequentemente, nossa
teoria será confirmada pela experiência. Primeiro dividimos as pessoas em
amigos, inimigos e estranhos e, depois, acreditamos que elas são realmente
amigos, inimigos e estranhos. Acreditamos nas aparências que foram criadas por
nós mesmos.
Como nos proteger contra esse
equívoco? Sem a intenção de esgotar o assunto, apresento dois pontos
importantes:
a)
Admitir que
tudo está em constante mudança.
Costumamos pensar: eu sou assim, o outro é assim (“assim” = fixo; te conheço na
palma da mão). Seria mais correto pensarmos que nosso modo de pensar é tão somente
uma idéia nossa e pode estar errada. O máximo que podemos dizer é “ele aparece
assim para mim neste momento”. O que implica que “pode mudar”. Ele pode mudar,
eu posso mudar. Se eu mudar, o que vejo atualmente também mudará.
As águas de
um rio como o nosso Tiete estão tão poluídas que mal parecem ser água. Quando
chove, bóiam sofás, carcaças de bicicletas, latas, sacos de lixo... tudo o que
se possa imaginar; sua cor é marrom e ela fede à distância. Contudo, apesar
dessa poluição, a água continua sendo água. Retire-se a poluição e a água pura
está lá. Ou não?
As águas
poluídas do Tiete podem servir como analogia com nossas mentes poluídas quando
estamos cheios de ódio, sentimentos de vingança, rancor, inveja ou orgulho.
Parece quase impossível, mas por trás disso tudo há apenas mente... Podemos nos
despoluir. Temos uma “canção” dentro de nós (referência ao poema de Tolba
Phanem).
Se
conseguirmos olhar para nós com esse “otimismo”, vamos nos tornar capazes de
enxergar os outros da mesma maneira, ou seja, vendo através das aparências...
enxergando a “água pura” que cada um deles é.
b)
O segundo ponto
para nos proteger contra as aparências enganosas, seria desenvolver dois
fatores mentais: o “senso de vergonha” e a “consideração pelos outros”. Juntos,
esses 2 fatores mentais constituem a base de todo o convívio social, da ética
de viver em sociedade. Senso de vergonha é abster-se de qualquer ação imprópria
por motivos que dizem respeito à própria pessoa que se abtém (exemplo: não vou
matar esse inseto porque sou budista (e budistas não matam outros seres vivos).
A consideração pelos outros também nos leva a nos abster, mas por motivos que
dizem respeito aos outros (exemplo: não vou pescar porque isso causa sofrimento
ao peixe).
Apoiados em
senso de vergonha e em consideração, poderemos nos relacionar com os outros, malgrado
as aparências. Vamos apresentar um trecho do filme japonês A viagem de Chihiro. Reparem no
personagem da Dona da Casa de Banhos, quando ela recebe o que ela julga ser O
Espírito do Mau Cheiro.
(filme)
Prática do círculo de diálogo com o “bastão da fala”
(conduzir) a
respiração de diálogo.
1 rodada:
apresentação / diga seu nome e uma frase que o apresente.
2 rodada: um
exemplo pessoal de como as aparências enganam.
3 rodada:
que aspecto do filme chama a sua atenção? (exemplo: houve a prática de
consideração? O Senhor da Sujeira já era o Senhor das Águas desde o início? Por
que ninguém o via assim?)
(Comentários
trazidos para o grupo geral)
Meditação: Equanimidade, o azul do céu
Cada visão oferece apenas uma aparência do objeto em
algum de seus aspectos.
Quando compreendermos profundamente que as nossas
teorias sobre as pessoas, (que as dividem rigidamente em amigos, inimigos e
estranhos), são apenas aparências superficiais, não caíremos no hábito de ver a
realidade e de agir em relação a ela como se fosse constituída de fragmentos
fixos e separados.
Amigos, inimigos e estranhos são como nuvens num céu
azul. Nuvens que se dissipam no azul do céu. Quando o céu está azul (límpido,
sem nuvens) todos os seus lados são iguais. Não desenvolvemos preferências ou
aversões pelo lado direito, esquerdo ou central, pois tudo é um mesmo azul.
Os seres vivos, na sua essência, são como um céu azul,
pois todos querem a mesma coisa: “todos eles querem ser felizes e todos eles
querem evitar o sofrimento”. Nesse sentido, somos todos iguais.
Quando esse sentimento de absoluta igualdade surgir em
nosso coração, paramos de pensar e nos concentramos unifocadamente nele.
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