segunda-feira, 12 de setembro de 2011


Resumo do segundo encontro – 11/09/2011
Amigos – Diálogos de Capacitação e Meditação
Apresentação do Espaço Francisco e da Ong Meditadores.
Espaço dedicado à saúde. A palavra “saúde” encontra sua raiz na palavra “são”, que significa “inteiro” (total, completo); isto é, para ser saudável é preciso estar inteiro (shalem em hebraico). A meditação é um método que acessa nossa integridade como ser humano e nos permite “estar inteiro”. “O homem sempre sentiu que a totalidade ou integridade é uma necessidade absoluta que faz com que a vida seja digna de ser vivida.” David Bohm, Totalidade e a Ordem Implicada, Ed Madras
AS APARÊNCIAS ENGANAM
2 histórias: A menina e o mendigo e A monja e o pedinte.
Sabemos que as aparências enganam, não é? Então, por que nos deixamos enganar por elas? E como podemos nos proteger contra desse tipo de engano?
Deixamo-nos enganar porque, ao ver meras aparências, acreditamos que existe uma realidade fora de nós, esperando para ser conhecida por nós;  nunca imaginamos que interferimos, de alguma maneira, nela. Nas palavras do físico David Bown: “existe uma fragmentação da consciência humana que nos leva a distinguir entre as pessoas (raça, nação, família, profissão, etc.), distinguir entre amigos, inimigos e estranhos. Essa falsa discriminação impede que a humanidade trabalhe em conjunto para o bem comum e até pela sua própria sobrevivência.” Alimentamos um tipo de pensamento que trata as coisas como se fossem inerentemente divididas, desconectadas e separadas em partes constituintes menores ainda. Cada parte é considerada essencialmente independente e auto-existente.
Quando o homem pensa em si dessa maneira, ele inevitavelmente tende a defender as necessidades do seu próprio ego contra o dos outros; ou seja, quando ele se identifica com um grupo de pessoas do mesmo tipo (amigos), ele defende o grupo de modo similar. Não consegue pensar na humanidade como sendo uma realidade básica, cujo direito vem antes. A visão que temos de uma pessoa influencia nosso relacionamento com ela.

Se nos aproximarmos de outra pessoa com uma teoria fixa sobre ela, considerando-a, por exemplo, como um “inimigo” do qual devemos nos proteger, essa pessoa reagirá de forma similar e, consequentemente, nossa teoria será confirmada pela experiência. Primeiro dividimos as pessoas em amigos, inimigos e estranhos e, depois, acreditamos que elas são realmente amigos, inimigos e estranhos. Acreditamos nas aparências que foram criadas por nós mesmos.

Como nos proteger contra esse equívoco? Sem a intenção de esgotar o assunto, apresento dois pontos importantes:
a)     Admitir que tudo está em constante mudança. Costumamos pensar: eu sou assim, o outro é assim (“assim” = fixo; te conheço na palma da mão). Seria mais correto pensarmos que nosso modo de pensar é tão somente uma idéia nossa e pode estar errada. O máximo que podemos dizer é “ele aparece assim para mim neste momento”. O que implica que “pode mudar”. Ele pode mudar, eu posso mudar. Se eu mudar, o que vejo atualmente também mudará.

As águas de um rio como o nosso Tiete estão tão poluídas que mal parecem ser água. Quando chove, bóiam sofás, carcaças de bicicletas, latas, sacos de lixo... tudo o que se possa imaginar; sua cor é marrom e ela fede à distância. Contudo, apesar dessa poluição, a água continua sendo água. Retire-se a poluição e a água pura está lá. Ou não?

As águas poluídas do Tiete podem servir como analogia com nossas mentes poluídas quando estamos cheios de ódio, sentimentos de vingança, rancor, inveja ou orgulho. Parece quase impossível, mas por trás disso tudo há apenas mente... Podemos nos despoluir. Temos uma “canção” dentro de nós (referência ao poema de Tolba Phanem).

Se conseguirmos olhar para nós com esse “otimismo”, vamos nos tornar capazes de enxergar os outros da mesma maneira, ou seja, vendo através das aparências... enxergando a “água pura” que cada um deles é.

b)     O segundo ponto para nos proteger contra as aparências enganosas, seria desenvolver dois fatores mentais: o “senso de vergonha” e a “consideração pelos outros”. Juntos, esses 2 fatores mentais constituem a base de todo o convívio social, da ética de viver em sociedade. Senso de vergonha é abster-se de qualquer ação imprópria por motivos que dizem respeito à própria pessoa que se abtém (exemplo: não vou matar esse inseto porque sou budista (e budistas não matam outros seres vivos). A consideração pelos outros também nos leva a nos abster, mas por motivos que dizem respeito aos outros (exemplo: não vou pescar porque isso causa sofrimento ao peixe).
Apoiados em senso de vergonha e em consideração, poderemos nos relacionar com os outros, malgrado as aparências. Vamos apresentar um trecho do filme japonês A viagem de Chihiro. Reparem no personagem da Dona da Casa de Banhos, quando ela recebe o que ela julga ser O Espírito do Mau Cheiro.

(filme)

Prática do círculo de diálogo com o “bastão da fala”

(conduzir) a respiração de diálogo.

1 rodada: apresentação / diga seu nome e uma frase que o apresente.
2 rodada: um exemplo pessoal de como as aparências enganam.
3 rodada: que aspecto do filme chama a sua atenção? (exemplo: houve a prática de consideração? O Senhor da Sujeira já era o Senhor das Águas desde o início? Por que ninguém o via assim?)

(Comentários trazidos para o grupo geral)

Meditação: Equanimidade, o azul do céu


Cada visão oferece apenas uma aparência do objeto em algum de seus aspectos.

Quando compreendermos profundamente que as nossas teorias sobre as pessoas, (que as dividem rigidamente em amigos, inimigos e estranhos), são apenas aparências superficiais, não caíremos no hábito de ver a realidade e de agir em relação a ela como se fosse constituída de fragmentos fixos e separados.

Amigos, inimigos e estranhos são como nuvens num céu azul. Nuvens que se dissipam no azul do céu. Quando o céu está azul (límpido, sem nuvens) todos os seus lados são iguais. Não desenvolvemos preferências ou aversões pelo lado direito, esquerdo ou central, pois tudo é um mesmo azul.

Os seres vivos, na sua essência, são como um céu azul, pois todos querem a mesma coisa: “todos eles querem ser felizes e todos eles querem evitar o sofrimento”. Nesse sentido, somos todos iguais.

Quando esse sentimento de absoluta igualdade surgir em nosso coração, paramos de pensar e nos concentramos unifocadamente nele.


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