segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dizer não - resumo




Resumo do Diálogo, domingo, 25 de setembro

Amigos, inimigos e estranhos
Faça um gesto para expressar amigo/amor; inimigo/aversão; e indiferença.
Aparentemente amor e amizade são tidos como algo positivo e aversão e indiferença como negativo. Pensando além das aparências, veremos que o amor/amizade tem a sua sombra e podem significar: engolir, afogar, aprisionar o outro etc.
A aversão/oposição, por outro lado, podem significar: dar parâmetros, criar tensão para que haja crescimento, impedir desastres etc.
A indiferença vai de um “sei lá” até o autismo. Às vezes, é pior que a aversão, porque bloqueia um relacionamento antes mesmo que ele possa começar. Um tipo de desprezo pelo outro. Mas até a indiferença pode representar algo positivo se pensarmos nos seus aspectos de neutralidade, equanimidade.
- Fronteiras que dividem as pessoas em amigos, inimigos e estranhos não são claras. Amigos podem ser inimigos, inimigos amigos e estranhos amigos ou inimigos. Precisamos dos três, porque cada um nos ensina algo diferente.

Aprender a dizer não e a ouvir não (Vou falar de dizer não e vocês vão falar de ouvir não)
Temos receio de dizer não: não vão gostar de mim; posso ser demitido; vou perder o cliente; a oportunidade, o negócio; vou ser punido etc.

Mas dizer não tem vários benefícios:
1.     Reconhecer nossos limites e transmitir isso aos outros com clarezas. Imagine o que seria mergulhar sem saber se estamos mergulhando numa lagoa rasa, num oceano profundo ou num rio; ignorar as margens, a profundeza, correntezas, seus monstros etc.? Conhecer nossas águas e informar os outros sobre as zonas de perigo.

2.     Situar nossos limites no tempo: agora eu não posso. Preservar nossos sonhos e nossa imaginação. No futuro “quero poder”, “vou poder”... me aguarde! Temos a oportunidade de treinar; mantém aberta a possibilidade de mudança.

3.     Honestidade no relacionamento. Leitura de um trecho do livro O Espírito da Intimidade.

4.     Limites das nossas juras: nosso medo, nossa morte.

Diferença entre acolher a dor do outro e a onipotência de achar que podemos impedir que sofra. Com nossos filhos. Infantilizando o parceiro. Com pessoas doentes e velhas.

 

Diálogos de Outubro
02- Explicação da técnica do circulo de diálogo e da meditação (prática de equanimidade)
09- Convidada Lia Zatz, escritora. A amizade no mundo infantil
16- A amizade on-line
23- Convidada Maria Lucia Teixeira, terapeuta. Características emocionais que impedem a amizade (vivência)
30- Encerramento: avaliação; resultado da pesquisa coletiva; curta metragem: All you need is Love (uma fabula urbana que aborda as diversas camadas da realidade e mostra que as aparências enganam)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Encontro com Sílvia Bittencourt

Coreógrafa, professora na Escola de Arte Dramática da USP e mestre em Artes Cênicas pela ECA-USP.  Quem quiser falar com ela pode escrever para: stbittencourt@uol.com.br








segunda-feira, 12 de setembro de 2011


Resumo do segundo encontro – 11/09/2011
Amigos – Diálogos de Capacitação e Meditação
Apresentação do Espaço Francisco e da Ong Meditadores.
Espaço dedicado à saúde. A palavra “saúde” encontra sua raiz na palavra “são”, que significa “inteiro” (total, completo); isto é, para ser saudável é preciso estar inteiro (shalem em hebraico). A meditação é um método que acessa nossa integridade como ser humano e nos permite “estar inteiro”. “O homem sempre sentiu que a totalidade ou integridade é uma necessidade absoluta que faz com que a vida seja digna de ser vivida.” David Bohm, Totalidade e a Ordem Implicada, Ed Madras
AS APARÊNCIAS ENGANAM
2 histórias: A menina e o mendigo e A monja e o pedinte.
Sabemos que as aparências enganam, não é? Então, por que nos deixamos enganar por elas? E como podemos nos proteger contra desse tipo de engano?
Deixamo-nos enganar porque, ao ver meras aparências, acreditamos que existe uma realidade fora de nós, esperando para ser conhecida por nós;  nunca imaginamos que interferimos, de alguma maneira, nela. Nas palavras do físico David Bown: “existe uma fragmentação da consciência humana que nos leva a distinguir entre as pessoas (raça, nação, família, profissão, etc.), distinguir entre amigos, inimigos e estranhos. Essa falsa discriminação impede que a humanidade trabalhe em conjunto para o bem comum e até pela sua própria sobrevivência.” Alimentamos um tipo de pensamento que trata as coisas como se fossem inerentemente divididas, desconectadas e separadas em partes constituintes menores ainda. Cada parte é considerada essencialmente independente e auto-existente.
Quando o homem pensa em si dessa maneira, ele inevitavelmente tende a defender as necessidades do seu próprio ego contra o dos outros; ou seja, quando ele se identifica com um grupo de pessoas do mesmo tipo (amigos), ele defende o grupo de modo similar. Não consegue pensar na humanidade como sendo uma realidade básica, cujo direito vem antes. A visão que temos de uma pessoa influencia nosso relacionamento com ela.

Se nos aproximarmos de outra pessoa com uma teoria fixa sobre ela, considerando-a, por exemplo, como um “inimigo” do qual devemos nos proteger, essa pessoa reagirá de forma similar e, consequentemente, nossa teoria será confirmada pela experiência. Primeiro dividimos as pessoas em amigos, inimigos e estranhos e, depois, acreditamos que elas são realmente amigos, inimigos e estranhos. Acreditamos nas aparências que foram criadas por nós mesmos.

Como nos proteger contra esse equívoco? Sem a intenção de esgotar o assunto, apresento dois pontos importantes:
a)     Admitir que tudo está em constante mudança. Costumamos pensar: eu sou assim, o outro é assim (“assim” = fixo; te conheço na palma da mão). Seria mais correto pensarmos que nosso modo de pensar é tão somente uma idéia nossa e pode estar errada. O máximo que podemos dizer é “ele aparece assim para mim neste momento”. O que implica que “pode mudar”. Ele pode mudar, eu posso mudar. Se eu mudar, o que vejo atualmente também mudará.

As águas de um rio como o nosso Tiete estão tão poluídas que mal parecem ser água. Quando chove, bóiam sofás, carcaças de bicicletas, latas, sacos de lixo... tudo o que se possa imaginar; sua cor é marrom e ela fede à distância. Contudo, apesar dessa poluição, a água continua sendo água. Retire-se a poluição e a água pura está lá. Ou não?

As águas poluídas do Tiete podem servir como analogia com nossas mentes poluídas quando estamos cheios de ódio, sentimentos de vingança, rancor, inveja ou orgulho. Parece quase impossível, mas por trás disso tudo há apenas mente... Podemos nos despoluir. Temos uma “canção” dentro de nós (referência ao poema de Tolba Phanem).

Se conseguirmos olhar para nós com esse “otimismo”, vamos nos tornar capazes de enxergar os outros da mesma maneira, ou seja, vendo através das aparências... enxergando a “água pura” que cada um deles é.

b)     O segundo ponto para nos proteger contra as aparências enganosas, seria desenvolver dois fatores mentais: o “senso de vergonha” e a “consideração pelos outros”. Juntos, esses 2 fatores mentais constituem a base de todo o convívio social, da ética de viver em sociedade. Senso de vergonha é abster-se de qualquer ação imprópria por motivos que dizem respeito à própria pessoa que se abtém (exemplo: não vou matar esse inseto porque sou budista (e budistas não matam outros seres vivos). A consideração pelos outros também nos leva a nos abster, mas por motivos que dizem respeito aos outros (exemplo: não vou pescar porque isso causa sofrimento ao peixe).
Apoiados em senso de vergonha e em consideração, poderemos nos relacionar com os outros, malgrado as aparências. Vamos apresentar um trecho do filme japonês A viagem de Chihiro. Reparem no personagem da Dona da Casa de Banhos, quando ela recebe o que ela julga ser O Espírito do Mau Cheiro.

(filme)

Prática do círculo de diálogo com o “bastão da fala”

(conduzir) a respiração de diálogo.

1 rodada: apresentação / diga seu nome e uma frase que o apresente.
2 rodada: um exemplo pessoal de como as aparências enganam.
3 rodada: que aspecto do filme chama a sua atenção? (exemplo: houve a prática de consideração? O Senhor da Sujeira já era o Senhor das Águas desde o início? Por que ninguém o via assim?)

(Comentários trazidos para o grupo geral)

Meditação: Equanimidade, o azul do céu


Cada visão oferece apenas uma aparência do objeto em algum de seus aspectos.

Quando compreendermos profundamente que as nossas teorias sobre as pessoas, (que as dividem rigidamente em amigos, inimigos e estranhos), são apenas aparências superficiais, não caíremos no hábito de ver a realidade e de agir em relação a ela como se fosse constituída de fragmentos fixos e separados.

Amigos, inimigos e estranhos são como nuvens num céu azul. Nuvens que se dissipam no azul do céu. Quando o céu está azul (límpido, sem nuvens) todos os seus lados são iguais. Não desenvolvemos preferências ou aversões pelo lado direito, esquerdo ou central, pois tudo é um mesmo azul.

Os seres vivos, na sua essência, são como um céu azul, pois todos querem a mesma coisa: “todos eles querem ser felizes e todos eles querem evitar o sofrimento”. Nesse sentido, somos todos iguais.

Quando esse sentimento de absoluta igualdade surgir em nosso coração, paramos de pensar e nos concentramos unifocadamente nele.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Resumo 1 Dialogo


AMIGOS – DIÁLOGOS DE CAPACITAÇÃO E MEDITAÇÃO
RESUMO DO PRIMEIRO ENCONTRO – 04/09/2011
Um novo paradigma de saúde
O Espaco Francisco é um espaço dedicado a saúde. O que é saúde? A medicina ocidental, ao lutar contra as doenças infecciosas, privilegiou a ideia de que o mal vem de um inimigo exterior (patogênico/vírus ou bactéria) mais do que de uma fraqueza de nossas defesas interiores. Ela subestimou as causas internas das falhas imunológicas, em particular as causas psíquicas que afetam o nosso organismo, como o stress e a depressão; falhas que já estão dentro de nós quando um vírus penetra nosso organismo. Os novos paradigmas de saúde a entendem como uma totalidade, onde a que acontece em nossa mente tem uma grande importância para nosso estado geral de saúde. 
Esse pensamento foi a base para o encontro de amizade que surgiu entre o Espaço Francisco e a ONG Meditadores. Nossa ONG emprega métodos, que unificam estudo, diálogo e meditação, contribuindo assim com a saúde da cidadania, com a recuperação da nossa humanidade, paz interior e capacidade de sermos amigos uns dos outros.
Introdução à prática de diálogos
Como aprendemos? Nossa capacidade de aprender está ligada, em grande parte, ao condicionamento (sendo o mais clássico o tipo Pavilov)
Prazer e dor, afinidade e estranheza, amor e rejeição, a percepção de amigos, inimigos e estranhos depende em grande parte das nossas crenças e preconceitos; ao sentir prazer, não estamos apenas reagindo aos aspectos superficiais de um objeto ou de uma pessoa (gosto, cheiro, aparência). Nosso prazer é influenciado pelo conhecimento e pelas crenças que temos. Exemplo: queijo com cheiro forte (cadáver de animal∕nojo; queijo caro∕salivação).
Como esse processo acontece dentro do nosso cérebro? “Ninguém sabe ao certo”, quem diz é o professor Paul Bloom, pesquisador da universidade de Yale. O que se sabe é que o conhecimento direciona nossas sensações de forma que sejam, ou não, prazerosas.
Entender isso faz tomar consciência de que somos mais livres e responsáveis pelo que nos acontece do que imaginamos. Livres porque podemos fazer opções e talvez mudar alguns condicionamentos ∕ reações que nos desagradam; e responsáveis, não no sentido de que somos culpados pelo que nos acontece, mas sim porque podemos exercer escolha; liberdade de fazer associações benéficas.
Prática do círculo de diálogo
Na experiência de hoje, vamos ouvir uma música numa língua estranha; sem entender as palavras. A seguir vamos associar a música a um conteúdo: texto da poetisa africana, lutadora pelos direitos civis das mulheres, Tolba Phanem. A seguir, praticar o círculo de diálogo.
Respiração e diálogo
Sentir o ar entrando e saindo dos pulmões (…) Perceba o ritmo e a troca. O ar sai pelas nossas narinas, se mistura com o ambiente, e entra novamente em nós. 
 Essa respiração se compara a um diálogo, os pensamentos em forma de palavras saem de nós, se misturam com os pensamentos dos outros e, novamente, entram em nós por meio do ouvir.
Explicações gerais: tema, diálogo e meditação
Tema: Quantos amigos temos? Zigmund Bauman, numa entrevista para o Café Filosófico, contou...
Mas será que amizade exige necessariamente o olho a olho? É possível ser amigo nas redes sociais? Em que momento conhecemos nossos amigos... na dor... ou será quando fazemos sucesso e eles, sem inveja, se regozijam conosco? Qual é o lugar do NÃO na amizade? Solidão é falta de amizade? Alguns dos assuntos que vamos tratar nesses 8 encontros.
Nós e os outros. Eu e o outro. Os outros estão dentro de nós, mais do que imaginamos. Somos feitos de outros. Literalmente, pedaço do pai + mãe. Somos feitos, existimos, graças aos cuidados dos outros. Sem os outros não sobreviríamos. Olhe para qualquer lado, pense no que for, e verá surgir os outros. Coisas simples como abrir uma torneira, sentar nessa cadeira ou no chão, são os outros. A comida que ingerimos e que alimentam as células do nosso corpo. Nosso corpo é feito de outros.
Somos feitos do olhar dos outros. Peter Senge (autor de A Quinta Disciplina), relata que em certas tribos do Natal, na África do Sul, o principal cumprimento é a expressão Sawu bonam que significa “eu vejo você”. E as pessoas que são assim saudadas, respondem dizendo Sikhona, “eu estou aqui”. Começamos a existir quando o outro nos vê. (descobrir e desenvolver “outridade”/ alteridade)
Diálogo e Meditação são métodos para descobrirmos a amizade dentro de nós. Vamos nos des-cobrir∕despir, para encontrar um potencial de amizade que já está dentro de nós.
Etimologia da palavra diálogo segundo David Bohm: Diálogo vem do grego diálogos. Logos significa palavra ou significado da palavra. Dia significa através. Dialogo é uma corrente de significados que flui entre nós e por nosso intermédio. Se o espírito de diálogo estiver presente, uma pessoa pode dialogar consigo mesma. Mas quando o diálogo fluir através do grupo, novos significados ou compreensões vão emergir. Exercitar nossa mente, flexibilizá-la para acolher novos conteúdos.
A dinâmica de um diálogo difere da relação Professor X Alunos. No diálogo todos participam e trocam idéias. A única exigência é que haja a vontade de ouvir e de entender aquilo que cada um diz e uma fala sincera e gentil.
Vou atuar como mediadora ou “levantadora de idéias”. Começo apresentando uma idéia. Pensamos e tentamos entender essa idéia, mesmo que ela nos pareça estranha ou contrarie aquilo que estamos acostumados a pensar. Depois de entender, formamos grupos menores e conversamos tranquilamente sobre nossas opiniões e o que foi dito. Todos podem falar ou silenciar. Uma conversa tranqüila; cada 1 pode ficar com a sua opinião se quiser. Não há conteúdo a ser passado, não há imposição. Voluntariamente estamos dialogando. Um “encontro de mundos”. Isso poderá propiciar o surgimento de novos conteúdos. Ginástica mental. Proponho que usemos o bastão, para simbolizar o empoderamento de quem fala e o respeito de quem ouve (cada grupo pode escolher na hora um objeto que sirva de bastão).
MEDITAÇÃO: No final de cada encontro, vou explicar e conduzir uma meditação. As meditações são budistas (Meditar na calma - de inspiração Zen; e Equanimidade, budismo mahayana).
Convidados especiais ...
Sessão 3-  18 setembro - Corporalidade na amizade. Com Silvia Bittencourt.

Sessão 6- 09 outubro - A amizade no mundo infantil. Com Lia Zatz.

Sessão 8- 23 outubro - Características emocionais que impedem a amizade. Com Maria Lucia Teixeira.

Prática: grupos de 5; escolher o bastão; respirar juntos; cada um pensa em algo que represente sua própria canção; quando o bastão passar diga ao grupo; ouvir a música novamente juntos).
MEDITAÇÃO: Sentar na calma
(ver item meditação)


A canção dos homens
“Em uma tribo na África do Sul, quando uma mulher está prestes a dar à luz, ela vai para a mata com outras mulheres e, juntas, elas rezam até aparecer a “canção da criança”.
Quando a criança nasce, a comunidade toda se reúne ao seu redor e lhe canta a sua canção.
Em todas as fases importantes de sua vida – quando começa a ser educada, quando se torna adulto ou no dia do seu casamento –, a pessoa ouve a sua canção.
Finalmente, quando se aproxima do momento de deixar esse mundo, a família e os amigos se aproximam e cantam novamente a sua canção, como o fizeram no seu nascimento.
Mas há uma outra ocasião muito especial em que os homens e mulheres dessa tribo ouvem a sua canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, os membros da tribo a levam para o centro do povoado e formam um círculo ao seu redor. Então, todos lhe cantam a sua canção.
A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo. Eles acreditam que é o amor e a lembrança da verdadeira identidade da pessoa.
Quando reconhecemos nossa própria canção, não temos desejos nem a necessidade de prejudicar ninguém.
Teus amigos conhecem a tua canção e a cantam quando você mesmo a esquece.
Aqueles que te  amam não podem ser enganados pelos erros que tu cometes ou pelas imagens escuras que, às vezes, mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado; reconhecem teu propósito quando estás confuso.”
Tolba Phanem
Poetisa Africana, lutadora pelos direitos civis das mulheres.