Atenção Consciente no cotidiano
Um guia para usar a atenção consciente, a fim de aprofundar nosso bem-estar e diminuir o estresse e a ansiedade em nossa vida
Por
Colin Thompson
Tradução: Lúcia
Amaral
Notas aos leitores
1. Este
livro contém diversos links sublinhados ao longo do texto. Se você estiver
lendo uma cópia impressa e não quiser digitar os links, poderá acessá-los em www.stillmind.com.au/MindfulnessbookLinks.htm.
2.
Acolho com prazer todos os comentários. Se você
é novo na prática da Atenção Consciente, interessa-me saber particularmente quais
foram as passagens que você achou difícil entender. Os que estão familiarizados
com a Atenção Consciente talvez queiram questionar minhas idéias. Seus
comentários poderão ser enviados a colThompson@gmail.com
e serão bem-vindos.
Sobre o Autor
Colin Thompson é um psicólogo e conselheiro que vive e
trabalha em Melbourne, Australia. Sua prática consiste principalmente em
ensinar as pessoas a usarem a prática da Atenção Consciente para viverem de
modo mais pleno e saudável. Ele prática a meditação budista há trinta anos na
tradição Zen. Seu website é www.stillmind.com.au.
Colin Thompson gentilmente autorizou a ong Meditadores a
traduzir para o português este livro. Sua difusão será gratuíta.
Índice
1. Introdução
2. Benefícios
da meditação
3. Prática
da Atenção Consciente
4. Como
a Atenção Consciente funciona?
5. Prática
da Atenção Consciente na vida diária
6. Usar
a Atenção Consciente em situações difíceis
7. Pensamentos,
emoções e sensações corporais
8. Estresse
9. Movimento
atencioso
10. Benefícios
profundos da Atenção Consciente
11. Referencias
1. Introdução
O que é atenção ou atenção consciente (mindfulness, em inglês) ... É algo que está por aí há milhares de
anos ... Como isso pode me ajudar? Este livro tentará responder a perguntas
como essas.
Atenção ou Atenção Consciente é uma maneira tradicional de
melhorar nosso bem-estar, sentimento de realização e felicidade. Tem sido
eficaz para reduzir depressão, ansiedade, abuso de drogas e até dor. A prática
de Atenção Consciente foi desenvolvida na Índia há mais de 2500 anos. Faz parte
de um caminho à iluminação e ao despertar, e a maioria das religiões, incluindo
o hinduísmo, o budismo, o cristianismo e o islamimso possuem tradições de
meditação. Essas antigas técnicas de meditação foram recentemente adaptadas
para lidar com as pressões da vida moderna do século XXI, e trataremos disso neste
livro.
Você já se sentiu um pouco para baixo, aborrecido com algo
que alguém lhe disse, ou talvez ansioso sobre uma reunião que acontecerá nos
próximos dias? Possivelmente percebeu seus pensamentos fugindo de controle ou
alguma preocupação fora do normal. Talvez você tenha uma doença grave, sinta
dor ou sofra de alguma doença mental, como depressão ou esquizofrenia? A Atenção
Consciente pode ajudar em todas essas situações.
Então, o que significa estar atento ou presente? Quando eu
era criança, às vezes me diziam: "tenha bons modos". Isso significava
que eu deveria estar ciente do que estava fazendo e de como as minhas ações
afetavam as outras pessoas - geralmente os adultos! Não é um mau começo... Atenção
Consciente certamente refere-se a prestar atenção. Prestar atenção ao que está
acontecendo agora, bem diante de nossos olhos ... e ouvidos e nariz e demais sentidos, incluindo os internos.
Que dores e tensões existem no meu corpo, como estou me sentindo agora, estou
consciente do que estou pensando ou estou no piloto automático, sonhando
acordado ou talvez remoendo ininterruptamente algum encontro difícil que me
aconteceu?
Muitos dos problemas acima mencionados referem-se ao futuro
ou ao passado. Ansiedade e estresse podem ser resultados de nos preocuparmos
com eventos futuros. A depressão frequentemente está associada a revivermos
mentalmente eventos passados. Remoemos o passado ou ficamos ansiosos sobre o
futuro. Grande parte do nosso pensar não está no presente, e o presente é o
único tempo que temos - uma série de momentos presentes.
Ao trazer nossa vida para o momento presente, passamos a nos
relacionar com o passado e com o futuro de uma maneira diferente, e nossos
pensamentos habitualmente inúteis sobre os eventos passados e futuros
diminuem, tornam-se menos insistentes; assim, encontramos o aqui, o agora, um lugar mais vibrante e
vivo para se estar. "Desde que pratico Atenção Consciente, recuperei em
grande parte a energia que eu desperdiçava lutando contra tristeza e raiva;
agora, minha mente está muito mais clara", me disse um cliente. "As
flores parecem mais brilhantes", disse outro, exibindo uma expressão
intrigada.
É em sintonia com o momento presente que surgem nossas
sensações - uma sensação só pode estar no presente. Sinta por alguns segundos
suas pernas e nádegas apoiadas na cadeira ... ouça atentamente os sons que
estão nas proximidades. Parabéns, você acaba de praticar Atenção Consciente!
Fazendo exercícios de Atenção Consciente com base nas sensações (por exemplo, a
respiração) e nos tornando mais conscientes daquilo que acontece ao nosso redor,
em nossa vida diária, poderemos passar mais tempo no presente.
Quando nossas preocupações habituais repetitivas ou quando
nossos pensamentos ansiosos desaparecerem, sentiremos que temos mais tempo e
energia para usar nosso cérebro fazendo aquilo que lhe é peculiar, ou seja,
criar, solucionar problemas, apreciar música, para citar somente alguns
exemplos.
Então, é isso? Observo minhas sensações, vivo o presente e
todos os meus problemas se evaporam? Quase... A Atenção Consciente tem dois
aspectos. Sidarta Gautama, conhecido como o Desperto ou o Buda, disse que a Atenção
Consciente é uma maneira de "ver as coisas como elas são, exatamente
agora". John Kabat-Zinn, o pai da moderna terapia chamada Mindfulness, parafraseia
as palavras de Buda, dizendo que é: "prestar atenção ao momento presente –
sem julgar ". Observar sem julgar é o segundo aspecto da Atenção
Consciente.
Alguma vez você pensou: "Por que eu disse isso? Foi uma
estupidez". Ou
imaginou todas as coisas que poderão dar errado na sua vida ou em alguma
situação do futuro? Talvez você tenha o costume de tecer comentários
interiormente sobre tudo o que lhe acontece: "Ela jamais vai sair com alguém
como eu " ou "É difícil demais, nem vale a pena tentar. "
Tudo isso são julgamentos. Somos uma espécie que julga. É
claro que em muitos casos isso nos ajudar a mudar de rumo e seguir direções
corretas. Por exemplo, se estivermos prestes a entrar num beco escuro à noite,
uma mistura de medo e julgamento nos permitirá tomar uma decisão acertada sobre
o que fazer. Porém, nosso hábito
de julgar pode também nos enganar. Por exemplo, um estudante entra numa sala de
aula e durante os cinco primeiros minutos não entende nada do que está ouvindo.
Ele pensa "Isso é muito difícil" e sente-se nervoso. Como resultado,
não consegue se concentrar direito. Perde as próximas frases e pensa (julgando
a si mesmo): "Nunca vou entender isso". Resultado: mais ansiedade. O
pensamento "se não entendo isso perfeitamente, devo ser idiota" vem acompanhado
de uma sensação de afundamento no estômago. "Por que sou tão
estúpido?". Por fim, para aliviar a ansiedade, ele sai do local da
palestra. São esses autojulgamentos, que, como uma bola de neve, provocam
ansiedade, uma sensação incômoda no estômago e, talvez, um sentimento de
indignidade.
Estamos constantemente julgando e fazemos isso de muitas
pequenas maneiras: isso é gostoso, aquilo é horrível, a flor é linda, detesto
me sentir assim etc. O fato é que isso se torna um hábito e não notamos que estamos
agindo dessa maneira, especialmente, quando se trata de julgamentos sobre nós
mesmos. Além disso, muitos desses autojulgamentos, como no caso do estudante,
são inúteis. Eles não levam a nada de positivo; não levam à vida.
Até os julgamentos positivos podem nos afastar do caráter
imediato de uma situação. Enquanto escrevo esse texto sentado no jardim, há um
pé de jasmim em plena floração, cujo perfume permeia todo o ambiente. Se eu
pensar, "Que lindo!", esse pensamento introduz um pequeno espaço
entre mim e a experiência. Estar simplesmente com o jasmim é vibrante, é uma
afirmação da vida. Não é preciso parar e dizer "Que lindo". Tente
notar a diferença que existe entre essas duas maneiras de se relacionar com o
fato.
De acordo com a abordagem da Atenção Consciente, você é
convidado a observar sua respiração no agora - seja ela superficial, profunda
ou descontraída; sinta o ar entrando e saindo. Não é preciso julgar. Você
também é convidado a escolher algumas tarefas diárias que devem ser executadas
com plena consciência, como escovar os dentes e perceber o quanto você fazia
isso automaticamente no passado. Gradualmente, você tomará consciência (se
ainda não a tinha) de seus "favoritos" julgamentos negativos e
passará a vê-los por aquilo que eles realmente são, apenas pensamentos que passam
pela sua mente num determinado momento; nada que deva ser aceito de maneira
acrítica.
Como resultado, seus pensamentos negativos irão se desfazer,
o que resultará em menos ansiedade e estresse. A depressão poderá se dissipar.
Até a dor nos faz sofrer menos quando tomamos consciência dela em vez de
combatê-la ou de querer nos livrar dela.
Então, esse é o assunto deste livro, como lidar com as
questões da vida e vivê-la de maneira mais plena, mais vibrante, ficando no
presente. Simples? Sim. Fácil? Não.
Uma discussão introdutória sobre Atenção Consciente,
conduzida pelo amável monge vietnamita Thich Nhat Hanh, pode ser encontrada em http://www.youtube.com/watch?v=aubF7v-MlMM. Esse é
outro ponto a ser notado a respeito deste livro; ele apresenta muitos links que
nos direcionam a um material adicional na internet. As referências são
enumeradas no final, mas, na maioria dos casos, também estão entremeadas no
texto e sublinhadas para indicar um link. Se você tiver uma cópia impressa
deste livro e não quiser digitar os links, poderá acessá-los em
www.stillmind.com.au/MindfulnessbookLinks.htm.
Este livro o conduzirá por etapas ao longo da prática da Atenção
Consciente. Primeiro, discuto alguns dos benefícios da Atenção Consciente, tais
como um maior bem-estar, uma mente mais estável e equilibrada e uma redução do
estresse e da ansiedade. No capítulo três, a
prática da Atenção Consciente, você aprenderá como praticar a Atenção
Consciente da respiração, fazer um escaneamento do corpo, bem como estabelecer
sua própria prática de Atenção Consciente. A percepção da respiração significa
simplesmente sentar-se confortavelmente e prestar atenção à respiração, durante
alguns minutos, da melhor forma possível. Isso geralmente resulta numa
percepção mais aguçada do quanto os pensamentos rondam nossa cabeça, geralmente
pensamentos banais ou de autocrítica. Pensamentos geram mais pensamentos,
especialmente, se prestarmos atenção a eles ou acreditarmos neles. Ao enfocar
alguma sensação, no presente, os pensamentos inúteis ficam carentes de
oxigênio. Aos poucos, por não serem alimentados, sua influência se enfraquece e
a quantidade de pensamentos se reduz, de modo que nos sentimos mais calmos e
controlados. Insights sobre a mente e seus hábitos se desenvolvem.
A prática de escanear o corpo, por outro lado, nos coloca em
contato com nosso corpo, suas tensões e estresse. Como tudo isso costuma estar ligado às emoções, essa prática
dá a possibilidade de aprender mais sobre nossos sentimentos e, em especial,
sobre como lidar melhor com as emoções perturbadoras.
O quarto capítulo discute por que “sentar e observar“ é tão
benéfico para gerarmos paz e tranquilidade. Explica como os pensamentos inúteis
perdem seu poder e por que sentir nossos sentimentos é melhor do que lutar
contra eles ou ignorá-los.
Embora as práticas formais da atenção consciente da
respiração e da consciência corporal sejam muito úteis, é importante
conectá-las com atividades diárias, e este é o assunto do quinto capítulo.
Nele, aprenderemos a praticar Atenção Consciente em situações cotidianas, como
quando escovamos os dentes ou comemos uma refeição. Mini práticas de Atenção
Consciente foram introduzidas para serem praticadas regularmente ao logo do
dia. Isso tudo constitui a parte mais formal da prática; contudo, é fundamental
que aprendamos a usar a Atenção Consciente nas situações difíceis da nossa
vida. Assim, no sexto capítulo, examinaremos algumas dessas situações, como
aquelas que nos levam à depressão e à raiva.
Pensamentos, emoções e sensações corporais são aspectos
importantes da mente, e o sétimo capítulo mostra como eles se desenvolvem a
medida que uma situação difícil evolui. Em vez de ficarmos sobrecarregados e
aborrecidos, esse capítulo demonstra como podemos trabalhar com cada aspecto
para obter o domínio da nossa mente e evitar que a situação saia de controle.
No capítulo seguinte, vamos aprender como surge o estresse e
como a Atenção Consciente pode impedir que o estresse normal se transforme em
estresse crônico. O nono capítulo, Movimento
atencioso, discute os benefícios de praticarmos meditação andando, yoga e
exercícios - tudo feito com a atenção consciente.
Os objetivos da Atenção Consciente vão muito além do que
apenas lidar com as situações difíceis da vida. É uma filosofia de vida
completa, e, se desejarmos nos aprofundar, encontraremos no capítulo final, Benefícios profundos da Atenção Consciente,
alguns conselhos.
Embora este livro contribua para iniciarmos uma prática, é
útil procurarmos a ajuda de um bom professor que nos acompanhe ao longo do
processo. Um professor poderá nos ajudar a estabelecer uma prática e a usar a Atenção
Consciente para lidar com as dificuldades específicas da nossa vida. O ideal é
encontrar um professor que tenha uma prática pessoal de Atenção Consciente
consistente e que também possua alguma habilidade em psicoterapia, a fim de nos
mostrar como aplicar a Atenção Consciente em nossa vida pessoal e orientar
nossa prática.
Introdução – Sumário
. Atenção Consciente
diária descreve como podemos usar as técnicas antigas da Atenção Consciente no
contexto moderno, a fim de lidarmos com situações difíceis da nossa vida, e termos
mais prazer e sensações de bem-estar. Poderá igualmente nos inspirar a descobrir
experiências mais profundas de Atenção Consciente e de meditação em geral.
· Também é útil para
os profissionais de saúde que querem entender melhor como a Atenção Consciente
pode ajudar seus clientes.
· Atenção Consciente significa prestar atenção ao momento presente,
sem julgar, e, ao fazê-lo, viver a vida plenamente.
· Aprenderemos
diversas práticas de Atenção Consciente formal, como a Atenção Consciente respiratória,
o exame do corpo e exercícios de mini atenção consciente. Aprenderemos também a
usar a Atenção Consciente em situações difíceis, como as que provocam estresse
e ansiedade.
· Aprenderemos a
trabalhar com nossos pensamentos, emoções e sensações corporais.
· Atenção Consciente diária está disponível na web em www.stillmind.com.au
/Atenção Conscientebook.htm e os links podem ser encontrados em www.stillmind.com.au/
Atenção ConscientebookLinks.htm
2. Benefícios da Atenção Consciente
Ninguém começará algo novo, a menos que tenha algum motivo
para fazê-lo. Então, vamos falar diretamente sobre os benefícios de nos tornarmos
mais conscientes. Os benefícios podem ser divididos em três áreas: bem-estar,
benefícios mentais e benefícios terapêuticos. Os benefícios de bem-estar
incluem ter mais energia ou talvez extrair mais prazer de um passeio no parque,
ao passo que os benefícios mentais referem-se a melhorar nosso autoconhecimento
e estabilidade mental. Os benefícios terapêuticos são constados em casos de depressão,
ansiedade, esquizofrenia e dor, os quais podem ser minimizados com a prática da
Atenção Consciente.
Bem-estar
As pessoas que praticam Atenção Consciente regularmente relatam
uma série de melhorias nas suas vidas. Uma cliente me disse que sua prática era
uma "ilha de paz" no seu dia estressante, onde ela podia deixar suas
preocupações de lado por algum tempo. Outros dizem que conseguem ver o que os
cerca, como árvores e pessoas, com mais clareza, mesmo que por breves períodos,
e que isso os deixa com um sentimento de que realmente estão presentes de conectados
com a paisagem e as pessoas ao seu redor. Antes de existir a TV digital e a
cabo, quando o aparelho não estava perfeitamente sintonizado, produzia uma
espécie de zumbido e a imagem ficava enevoada. Mas bastava girar a antena para
que a imagem ficasse repentinamente nítida. A Atenção Consciente pode
proporcionar momentos de nitidez similares, momentos que nos fazem sentir que
estamos mais vivos e conectados.
Visto que a Atenção Consciente reduz o fluxo das conversas
estúpidas, algumas pessoas sentem que sua energia aumentou; muitos clientes dizem
que conseguem se perceber melhor ou que simplesmente estão mais contentes consigo
mesmo.
Ao praticar a “varredura do corpo” em busca de sensações,
muitas pessoas descobrem seu corpo pela primeira vez e consequentemente
desenvolvem experiências mais ricas de suas emoções e vida.
A Atenção Consciente influencia a mente
A prática da Atenção Consciente torna nossa mente mais
equilibrada e flexível. Melhora também nossa concentração. Tornamo-nos pessoas
mais conscientes de si, capazes de compreender os processos mentais e menos
reativos.
Já notaram a mente pulando incontrolavelmente do trabalho
para a família ou para alguém que esteja nos incomodando? A Atenção Consciente trata
exatamente disso. Quando tentamos perceber nossa respiração, prática que será
explicada no próximo capítulo, devemos manter o foco da atenção na nossa
respiração, voltando a isso sempre que nos desviarmos. A mente se perde muitas
e muitas vezes, distraída por uma sequência de pensamentos sobre emprego,
aquilo que temos de fazer a seguir etc. Ao perceber que nos distraímos do foco
almejado, somos incentivados a voltar novamente para a respiração. Isso pode
acontecer vinte vezes em cinco minutos. Trazemos a mente de volta sem nenhuma
contrariedade sobre sua incapacidade de se manter fixada na respiração e tampouco
julgamos os pensamentos que estávamos tendo. A prática de perceber a respiração
é excelente para que venhamos a controlar nossa mente e decidir,
voluntariamente, no que queremos nos concentrar.
A maioria de nós sabe o que é uma mente embotada,
entorpecida. Lembra a que temos logo ao acordar, só que continua assim durante
o dia todo. Sabemos também o que é uma mente agitada, rodando a 100 por hora,
sem diminuir o ritmo. A prática da Atenção Consciente pode equilibrar esses
dois extremos e, como resultado, torna nossa mente um espaço alerta e claro.
Isso acontece em grande parte porque reduzimos a roda dos pensamentos
acelerados que, frequentemente, povoam a vida moderna. O resultado de tomarmos
consciência da nossa respiração ou do nosso corpo é que não nos deixamos abalar
tanto pelos nossos pensamentos e emoções. Isso, por sua vez, resulta numa mente
clara e equilibrada.
Nossa mente tem sulcos mentais que correm longitudinalmente.
Precisamos ser capazes de fazer coisas sem pensar muito sobre elas. Imaginem se
a cada vez que fôssemos dirigir nosso carro, tivéssemos que investir a mesma
concentração que foi necessária na primeira vez que o fizemos! Não há dúvida de
que automatizar a habilidade de amarrar o laço do sapato é uma vantagem.
Contudo, o que dizer se a automatização da irritação ou a negação de conflito se
tornarem um hábito? Para piorar ainda mais a situação, evitar ou negar conflito
é um hábito do qual podemos estar totalmente inconscientes. O hábito da negação
pode estar ativo numa ligeira inquietação, sem que percebamos que estamos
fazendo isso. A Atenção Consciente nos permite tomar consciência desses sulcos
mentais, ou hábitos, e nos dá a possibilidade de modificá-los.
Tornar-se consciente (mindful) é um pouco como ser promovido
de simples operário para a chefia da linha de produção. Numa fábrica de automóveis,
a pessoa que trabalha na linha de produção não sabe se os dois extremos da
mangueira que ela está unindo vão compor o sistema de arrefecimento ou o
breque. Isso se compara a não saber por que estamos tristes ou sequer perceber
que estamos sentindo tristeza. O supervisor tem uma visão global da linha de
produção e pode ver o carro tomando forma. Do mesmo modo, com a Atenção
Consciente nos tornamos capazes de ver a raiva ou a ansiedade se formando e de constatar
nossos próprios impulsos indo nessa direção. Essa visão nos dá a possibilidade
de escolher como vamos reagir a uma situação, que, anteriormente, sempre
terminava em raiva. Por exemplo, podemos nos retirar, rir da situação ou até
mesmo ficar com raiva e utilizar a energia dela para adotar uma ação eficaz.
Muitas vezes, não precisamos mudar conscientemente os padrões dos nossos hábitos;
vê-los em ação já basta para que os deixemos partir. Por exemplo, tomar consciência de que estamos
tentando manipular alguém pode bastar para mudarmos tal comportamento.
Todos nós temos certas reações habituais às situações e existem
muitas respostas possíveis a um único evento. Vamos imaginar o seguinte fato: uma
criança escorrega, se arranha e começa a chorar perto de nós. Uma pessoa pode
sentir pena da criança, outra pode recuar horrorizada diante do sangue. Uma terceira,
corre para ajudar a criança. Outra acusa a mãe de ser relapsa. Há quem se
afaste, aliviado por se ver longe da situação difícil. Na verdade, muitas
dessas respostas servem mais para reduzir nosso próprio desconforto do que para
lidar com a situação. A questão é que muitas dessas reações são automáticas,
habituais. Praticando a Atenção Consciente, teremos a possibilidade de enxergar
a natureza real dos nossos hábitos, ou seja, maneiras de agir desenvolvidas em
situações similares enfrentadas por nós anteriormente, comportamentos
aprendidos que podem ser desaprendidos se deixarem de ser úteis. A Atenção
Consciente nos dá a oportunidade de refletir sobre a eficácia das nossas
respostas e de, eventualmente, tomarmos a decisão de experimentar novas opções.
Isso nos leva à questão da reatividade. Todos nós reagimos. Ao
sentir uma coceira, nos coçamos. Quando levamos “uma fechada” no trânsito,
ficamos com raiva e possivelmente esbravejamos e buzinamos. Essas reações vêm
do hábito. Muitas pessoas, ao falarem de uma reação furiosa que tiveram, dizem
que isso aconteceu "por acaso", sem nenhum impulso consciente. Praticando
a Atenção Consciente, enxergamos a furia sendo construída. Veremos nosso nível
de stress crescendo conforme pegamos o carro e entramos no trânsito. Notaremos
nossa vigilância para impedir que outro carro fure a fila e o temor de que
façam algum movimento brusco. Todos esses fatores contribuiram para o nosso
ataque de raiva e podemos tomar consciência deles.
Os benefícios terapêuticos da Atenção Consciente
Ansiedade, depressão e stress são alguns dos problemas
mentais que podem ser trabalhados pela Atenção Consciente. A ansiedade é um
tipo de reação de medo diante do futuro. Ficamos ansiosos, nos sentimos um
tanto agitados e nervosos e também temos algumas sensações corporais, como
borboletas no estômago e suor nas mãos. Em muitos casos, a ansiedade é
alimentada por pensamentos que a mantém viva e podem provocar seu crescimento.
A Atenção Consciente pode mudar nossa atitude em relação a tais pensamentos. Deixamos
de acreditar neles piamente e passamos a encará-los como meros pensamentos que
surgem num determinado momento e que, justamente por isso, não precisam dar
origem a outros pensamentos ansiosos. Do mesmo modo, a sensação nervosa de
ansiedade pode ser reduzida a algo que estamos sentindo naquele momento, em vez
de ser algo opressor que nos ultrapassa e do qual nunca nos livraremos. Muitas
das nossas dificuldades com a ansiedade e o pânico surgem de sensações
corporais, como batimentos cardíacos ou aperto no estômago. Com consciência e
prática, esses sintomas podem ser desmistificados e reduzidos ao que realmente
são - meras sensações físicas. Essa perspectiva ajuda a aliviar os sintomas da
ansiedade.
Isso destaca um aspecto fundamental da Atenção Consciente. Mais
do que mudar os próprios sintomas, a Atenção Consciente muda principalmente a
nossa atitude frente aos sintomas. Costuma-se dizer que a Atenção Consciente
nos leva na direção do sintoma, acolhendo-o e aceitando-o, em vez de tentar
afastá-lo e lutar contra ele. Os pensamentos se transformam em pensamentos que
estamos tendo no momento, não algo que devemos aceitar sem crítica. Emoções são
apenas uma parte da experiência atual, não algo a ser combatido. Muitas pessoas
se surpreendem com a riqueza de sentir plenamente emoções como, por exemplo,
tristeza. Do mesmo modo, as sensações corporais, que estão estreitamente
ligadas às fortes emoções como ansiedade e tristeza, deixam de ser nocivas
quando são encaradas como um mero aperto no estômago.
Essa mudança de atitude foi observada com clareza num grupo
de pessoas com esquizofrenia. Depois de terem feito um curso de Atenção
Consciente, não houve redução na freqüência dos sintomas, mas as
hospitalizações diminuíram pela metade. Eles continuaram a ter paranóia e
alucinações, mas elas deixaram de incomodar.
A redução do stress é outro benefício da Atenção Consciente
e dediquei um capítulo inteiro a esse tema.
Finalmente, a Atenção Consciente tem se mostrado muito útil
no alívio da dor. Tenho uma lesão antiga nas costas, que contraí ao tentar
jogar boliche como se fosse um adolescente. Ainda sinto esse ponto fraco quando
digito... o que acontece frequentemente. No meu primeiro curso de meditação em
Deli, nos anos setenta, fizemos o escaneamento do corpo durante vários dias e
meu ponto mais dolorido estava nas costas. Quando o escaneamento chegava nessa
área, a dor era insuportável. Numa dessas vezes, tive uma experiência incrível:
a dor não mudou em nada, mas simplesmente deixou de me incomodar. Doía sem
doer. Não sei como explicar isso em outros termos. Um amigo meu, fica com forte
dor de cabeça quando anda pelo campo. Ele me proíbe de conversar com ele
enquanto está “imerso” na sua dor. Michael Anderson, que me ensinou a terapia
da Atenção Consciente, diz em seu livro Prática
da Atenção Consciente: "Tenho observado, tanto do ponto de vista
pessoal como profissional, que aqueles que praticam o não discriminar a
experiência de dor em vez de tentar fugir dela ou bloqueá-la estão mais aptos a
controlarem sua dor. Em algumas situações, a dor pode até desaparecer por
completo”. Ao falar em “não discriminar”, ele quer dizer que não devemos lutar
contra a dor, como fazemos ao querer que ela seja mais fraca.
Vida, o Universo e Tudo
O "benefício" final da Atenção Consciente, que eu
e muitos outros descobriram, é que ela ajuda a explorar melhor questões
existenciais, como: quem somos, qual é o propósito da vida e da morte. Foi essa
busca pessoal levou pessoas como Sidarta Gautama, conhecido como Buda ou o
iluminado, a desenvolverem práticas de Atenção Consciente. O último capítulo nos
introduz brevemente nesse campo.
Comentários
sobre Atenção Consciente
• Atenção Consciente me
permite checar diariamente meu estado. Calma, quietude e equilíbrio. Durante o
dia, posso retomar isso sempre que precisar.
• Mais clareza, menos
nevoeiro.
• Valida minha vida e me
faz saber que existo. É a respiração e um coração batendo.
• Eu não sabia que meus
pensamentos eram tão mundanos.
• Tudo entra em sintonia,
união. Antes, minha cabeça estava em um lugar e meu corpo em outro.
• Sinto que tenho mais
opções. A Atenção Consciente é o general liderando o exército.
• Pratico a Atenção
Consciente na respiração por cinco minutos, só para afastar os pensamentos da
minha cabeça.
• Sim, tentei algumas
vezes, mas fiquei entediado - não vou fazer de novo. (E não fez!)
• Ajuda a limpar minha
mente quando tenho muito no que pensar.
• Tenho mais ansiedade
agora, mas isso não me incomoda.
• Atenção Consciente é meu
soldado de infantaria.
• A meditação é uma parte
essencial dos cuidados que tenho comigo mesmo. Antes, os dias fluíam sem
vivacidade. Agora, tenho um novo dia e um novo começo.
• Percebo como meu cérebro
funciona.
• Tomo consciência dos meus
sentimentos e dos sentimentos das outras pessoas.
Benefícios
da Atenção Consciente - Resumo
• Atenção Consciente
melhora nosso bem-estar, especialmente para que tenhamos uma experiência de
vida mais rica e conectada.
• Torna nossa mente mais
alerta, equilibrada, e reduz pensamentos inúteis.
• Dá uma visão geral das
situações e contribui para respostas mais flexíveis.
• Ajuda a aliviar a dor e
muitas condições mentais.
• Transforma a atitude que
temos diante dos sintomas, embora esses possam persistir.
• Pode nos ajudar a encarar
a grande questão da vida.
3. A Prática de Atenção Consciente
Como sentar
O objetivo de uma sessão de atenção consciente respiratória
é observar a respiração (o melhor que pudermos) e retornar ela sempre que
percebermos que fomos distraídos, por exemplo, por um pensamento. Não há nada
além disso numa sessão de Atenção Consciente!
Para praticar assim, é útil nos sentarmos numa determinada
postura; uma postura digna que nos indique que estamos fazendo algo importante.
Acomode-se numa posição confortável, sentando-se numa cadeira firme e de
encosto reto ou numa almofada no chão. Certifique-se de que a parte superior de
seu corpo se sustenta por si mesma. As costas devem estar eretas, formando um
suave "S", mas sem qualquer rigidez. Balançar-se levemente de um lado
para outro e para frente e para trás pode ajudar a encontrar uma posição ereta
descontraída. Deixe o pescoso livre de modo que a cabeça possa flutuar para
cima, alongando e alargando as costas. Dobrar o queixo um pouco, permite que
você sinta um alongamento na parte de trás do pescoço. Podemos imaginar um fio
de luz conectado com a parte traseira do couro cabeludo, puxando a cabeça
suavemente para cima e permitindo que a coluna se alongue. Ajuste sua postura, retomando
essa posição confortável e autosustentada, a qualquer momento no decorrer do
exercício. (Link da foto - veja página
dois para informações sobre os links deste livro disponíveis na internet).
Atenção Consciente Respiratória
A atenção consciente respiratória significa selecionar uma
parte do ciclo da respiração e prestar atenção nele o mais plenamente possível.
Podemos escolher a sensação do ar passando pelas nossas narinas ou a sensação
de frescor que o ar produz acima do céu da boca ou ainda – o que se faz mais
frequentemente – a expansão e a contração do abdômen. Note-se que o foco está
em observar uma sensação física comum; não precisa ser algo especial.
Naturalmente, de tempos em tempos seremos distraídos por pensamentos ou sons no
ambiente. Quando os pensamentos surgirem, o objetivo será “deixá-los acontecer”,
sem que sejamos capturados por eles. Continue observando a respiração. Permitir
que os pensamentos simplesmente sejam o que são é algo desafiador e serão
muitas as vezes em que seremos capturados por uma sequência de pensamentos. Poderemos
ficar nos debatendo durante minutos sem nenhuma percepção da respiração. Não
importa, nesse caso, limite-se a notar brevemente no que está pensando e
gentilmente acompanhe sua atenção de volta para a respiração.
Tudo isso constitui a primeira parte da Atenção Consciente,
ou seja, "estar o mais consciente possível do momento presente." A
segunda parte é "não julgar". No caso desse exercício significa
aceitar que a mente irá divagar. Também significa compreender que o pensamento
que você teve não passa de um mero pensamento; mesmo que tenha sido um
pensamento negativo, não é preciso julgá-lo como ruim. Pensamentos são apenas
pensamentos. Se surgirem pensamentos como "Nossa, eu fui estúpido", "Ele
é um verdadeiro canalha", ou “Ele foi adorável na praia...”, não devemos
julgá-los; limitamo-nos a reconhecer o pensamento como algo que está nos
acontecendo naquele momento e depois voltamos nossa atenção à respiração.
Um estudante comentou que “ter uma centena de pensamentos
perturbadores em dez minutos ou apenas um ou dois, certamente faz uma
diferença!”. Na verdade, não. Em termos desse exercício não faz diferença
alguma. No primeiro caso, estamos aprendendo a navegar em mares turbulentos, no
outro, praticamos a navegação em calmarias. Ambas as lições são necessárias.
O que há de tão especial na
respiração? Nada realmente. Poderíamos praticar a Atenção Consciente enfocando
qualquer coisa que esteja no presente. Por exemplo, o vento em nosso rosto, um
som nas proximidades, aquilo que estamos comendo etc. (vamos discutir os
benefícios de fazer isso mais tarde); mas, para um exercício de Atenção
Consciente, a respiração é muito útil. Ela nos acompanha sempre, é
relativamente calmante e pode indicar nosso nível de stress. Podemos observar
nossa respiração a qualquer momento, estejamos numa fila de supermercado ou no
trânsito, e não apenas ao fazer um exercício formal. Porque a respiração vem e
vai e depois vem de novo, ela é uma excelente metáfora para "deixar ir e
deixar ser." Do mesmo modo que deixamos a respiração partir, também
podemos permitir que os pensamentos (e as emoções) sigam seu curso, sem nos
envolvermos demasiadamente com
eles. Como resultado, eles exercerão menos controle sobre nós. Desta forma, a
Atenção Consciente respiratória pode ser particularmente útil para pessoas que
sofrem de depressão ou ansiedade, pois os pensamentos frequentemente são
fatores desencadeantes ou agravadores desses estados. Nos capítulos seguintes,
discutiremos como podemos trabalhar de forma consciente com nossos pensamentos
perturbadores ou emoções.
Atenção
Consciente Respiratória
(Versão em áudio disponíveis no site
stillmind)
Tendo assumido uma postura
ereta, digna e confortável. Feche suavemente os olhos.
Dirija sua consciência às
sensações físicas, prestando atenção nas sensações do tato e na ligeira pressão
do corpo ao entrar em contato com o chão e o assento. Passe um ou dois minutos
explorando essas sensações.
Agora, dirija sua
consciência para as sensações físicas mutáveis no baixo ventre, conforme o ar
entra e sai do seu corpo (quando começamos a praticar, pode ser útil pôr a mão
no abdômen e tomar consciência do padrão mutável de sensações, ali onde a mão
faz contato com o abdômen. Tendo “sintonizado” as sensações físicas nessa área,
poderemos tirar a mão e continuar enfocando as sensações na parede abdominal).
Note uma sensação de leve estiramento
conforme a parede abdominal sobe a cada inspiração, e de suave esvaziamento
conforme ela desce a cada expiração. Siga da melhor maneira que puder as
sensações físicas mutáveis no baixo abdómen enquanto o ar entra em seu corpo
com a inspiração e sai dele com a expiração; note as pequenas pausas entre uma
inspiração e a expiração seguinte.
Não é preciso tentar
controlar a respiração; permita apenas que a respiração respire. Da melhor
maneira que puder, procure transportar essa atitude não controladora para o
restante da experiência. Não há nada a ser consertado, nenhum estado específico
a ser alcançado. Faça o melhor que puder, simplesmente permita que sua
experiência seja a sua experiência, sem que ela tenha que ser diferente do que
é.
Mais cedo ou mais tarde (em
geral mais cedo), sua mente se afastará do foco, que é a respiração no baixo
abdômen, desviando-se para pensamentos, planos e outros devaneios. Isso é
perfeitamente normal; é o que fazem nossas mentes. Não é um erro ou fracasso.
Quando notar que sua consciência não está mais na respiração, congratule-se
suavemente – você voltou e novamente está ciente da sua experiência! Nesse ponto,
talvez você queira identificar rapidamente onde sua mente tinha ido ("Ah, estive
longe, pensando."). Depois, encaminhe suavemente sua consciência de volta
para o foco – o padrão mutável das sensações físicas no baixo abdômen – e
renove a intenção de prestar atenção no vai e vem da inspiração ou da
expiração.
Todas as vezes que você
perceber que a mente se desviou (e é provável que isso ocorra muitas vezes),
congratule-se e reconecte-se com sua experiência naquele exato momento; então,
dirija gentilmente a atenção de volta para a respiração e siga o padrão mutável
das sensações físicas a cada inspiração e expiração.
Procure da melhor maneira
que puder mesclar sua mente com uma qualidade de bondade. Pense, por exemplo,
que o constante divagar da mente lhe dá muitas oportunidades de introduzir
paciência e curiosidade à sua experiência.
Continue praticando por 15
minutos ou mais se desejar, lembrando-se de tempos em tempos da intenção de
estar ciente da experiência momento a momento, usando a respiração como uma
âncora para se reconectar suavemente com o aqui e agora sempre que perceber que
a mente se desviou e não está mais focada no baixo abdômen, acompanhando a
respiração.
Dicas
• Inicialmente, ao nos sentar, é útil dirigirmos nossa
atenção rapidamente para a prática da Atenção Consciente. Podemos fazer isso
deixando deliberadamente de lado a última coisa que estávamos fazendo ou olhando
ou olhando intencionalmente para
nossa cadeira ou almofada. Uma ligeira inclinação do corpo pode nos ajudar a
focar a mente.
• Devemos fazer o possível para eliminar expectativas sobre
como está sendo a prática hoje, se estamos indo bem ou mal ou como iremos nos
sentir no final.
• Quem quiser, pode contar as respirações para focar a
mente. Ao expirar conte "um", baixinho para si mesmo, e, em seguida,
"dois" na expiração seguinte. Quando chegar a "dez",
recomece do início, dizendo "um", "dois", "três"
a cada expiração. (Se perder a conta, ou notar que se distraiu e já está no
vinte ou trinta, pode tentar uma contagem regressiva até dez).
• Mantemos a
respiração normal e natural, sem tentar controlá-la de nenhuma maneira.
• Devemos entender que o fato da mente se desviar do objeto
é uma atividade normal e até esperada. Não há necessidade de crítica e
aborrecimentos.
• Traga qualidades de suavidade e curiosidade para a
respiração; e bondade e paciência em relação a você.
• Atitudes que são
úteis para nos conduzir à prática da Atenção Consciente são: mente de
principiante, paciência, persistência, não forçar, autoconfiança, deixar ir e
aceitação. Essas por sua vez são cultivadas pela prática.
• Se sentir alguma dificuldade, como por exemplo uma
compulsão de olhar para o relógio ou de sair da posição, observe muito
atentamente essa urgência, seguindo seus pensamentos: “Estou entediado, preciso
parar”. Perceba qual é a emoção que está sentindo, talvez ansiedade, talvez
agitação. Observe também as sensações corporais, como tensão, e depois volte à
respiração. Faça isso duas vezes e na terceira vez siga o impulso, olhe para o
relógio ou levante e saia da sala. Faça isso com plena consciência e sem
nenhuma auto-crítica. Também podemos experimentar andar conscienciosamente em
torno da sala (capítulo nove).
• Pelo menos uma vez por semana pratique mindifulness sem o auxílio de uma gravação.
• Nas fases iniciais, quando estamos estabelecendo nossa
prática de Atenção Consciente, é muito útil mantermos um registro dos nossos
exercícios. Registre também quando não fizer o exercício e anote todos os
pensamentos de auto-crítica que surgirem. (link
Registro de Atenção Consciente)
• Nos momentos de transições é muito fácil perder nossa
atenção consciente. Assim, no final da prática, tente estender sua consciência
para a próxima atividade, seja mantendo a continuidade do foco na respiração
seja aceitando plenamente a próxima atividade.
Para aqueles que desejam praticar regularmente, é útil
escolher uma determinada ocasião para fazê-lo, por exemplo, depois do banho
matinal ou antes do jantar. Praticar no mesmo lugar diariamente, ajuda a
acalmar a mente com mais rapidez, especialmente se escolhermos um lugar
tranquilo. Desligue o telefone celular, rádio e TV. No entanto, podemos lidar
com outras distrações que aconteçam enquanto praticamos; ruídos de tráfego ou
vozes podem ser “largados” tanto quanto os nossos pensamentos.
A Atenção Consciente significa estar no momento presente, sem
julgar. Isso significa em grande parte que não devemos nos julgar quando nos
distraímos por uma sequência de pensamentos e, principalmente, não devemos nos
condenar se não praticarmos durante um ou vários dias. Limite-se a registrar o assunto e
continuar aquilo que estiver fazendo. "Obrigações", tais como "Devo
fazer a prática todos os dias", podem ser tratados da mesma maneira. Se
nos sentirmos culpados ou ansiosos, poderemos dizer para nós mesmos: "Percebo
que estou me sentindo culpado por não fazer minha prática"... ou seja,
estou praticando a atenção consciente agora, neste momento!
Podemos praticar a Atenção Consciente respiratória a
qualquer momento, estejamos ou não estressados. No quinto capítulo trataremos
desse assunto com ais detalhes, ao explicar a mini-atenção consciente.
Respiração igual - um exercício de respiração alternativo
A respiração igual não é exatamente uma prática de Atenção
Consciente, embora, como tudo o mais, ela possa ser feita de maneira
conscienciosa. A respiração igual é uma prática de respiração tranquilizante,
muito útil quando nossos pensamentos estão acelerados ou fora de controle. Divide-se
em duas partes. A primeira consiste na "contagem da respiração". Para
fazer isso, basta contarmos baixo e lentamente (aproximadamente seguindo os
segundos) a inspiração e a expiração. Podemos precisar várias respirações para
conseguir iniciar a contagem igualitária. Vamos supor que você conte quatro para inspirar e três para
expirar. A segunda parte da prática se destinará a prolongar a contagem mais
curta, neste caso, a expiração, até chegar a quatro, de modo que a respiração fique
igual: quatro para inspirar e quatro para expirar. Continue essa respiração
mais lenta durante quatro ou mais respirações. Se suas contas iniciais eram
iguais, por exemplo, cinco na inspiração e cinco na expiração, então a técnica
consistirá em aumentar um ponto em cada uma. A conta agora será de seis na
inspiração e seis expiração. Para que possamos usar essa técnica de respiração,
temos de aprender a respirar assim por meio da prática regular – digamos, seis
vezes por dia, durante alguns dias, até que sejamos capazes de fazê-lo com
bastante facilidade. Então, poderemos usá-la sempre que precisarmos acalmar nossa
mente.
Essa prática serve para acalmar a mente de muitas
maneiras. Visto que ela é meio
complicada, o esforço que temos de fazer distrai nossa mente de “pensamentos
indesejados”. Além disso, a respiração está muito perto das emoções e, por
isso, quando prestamos atenção à respiração, tiramos energia das fortes
emoções. Finalmente, quando prolongamos a respiração, estamos trabalhando para
desacelerar as coisas por todo o nosso corpo. (link
respiração igual)
Sono
A Atenção Consciente
respiratória é muito útil quando acordamos a noite e não conseguimos voltar a dormir. Exige um pouco de disciplina, mas se
conseguirmos praticá-la garantiremos cerca de 80% do valor reparador do sono,
mesmo quando continuamos acordados. A meditação respiratória ajuda a manter sob
vigilância os pensamentos noturnos agitados, e muitos clientes relatam que, ao
praticá-la, voltam a dormir e que dormem bem. Eu mesmo descobri isso numa época
em que acordava a noite regularmente com as pernas rígidas e não conseguia mais
dormir. Tive a idéia de tornar esses momentos o meu tempo de meditação regular.
Agora, levanto-me por volta das quatro horas, medito durante meia hora e depois
durmo novamente. Só tive meia dúzia de noites completas de sono em 20 anos, mas
sempre durmo bem e normalmente acordo renovado.
Escaneamento do corpo
Com o escaneamento do corpo (link
de áudio), vamos visitar cada parte do corpo, uma de cada vez.
Começamos, por exemplo, pelo nosso pé esquerdo e vamos subindo até o topo da
cabeça. Depois disso, podemos escanear as principais partes do corpo, como a
perna inteira ou até o conjunto do corpo. Incialmente, é melhor ser conduzido
por um professor ou por uma gravação. O objetivo é observar quaisquer sensações
que surjam no momento em que estamos observando. Essas sensações podem ser
externas, como temperatura ou o toque da roupa, ou internas, como o pulso ou a
corrente de energia; contudo, não é preciso nomeá-las. Note que qualquer
relaxamento subsequente é um subproduto. Paradoxalmente, quando mais
abandonarmos expectativas por benefícios e nos concentrarmos na prática de
atenção consciente como um mero exercício de percepção, maior será nosso
bem-estar. Como em outros exercícios de Atenção Consciente, sempre que nos
distrairmos, devemos simplesmente voltar nossa consciência para o ponto em que
estávamos antes da distração surgir.
Emoções costumam ser sentidas no corpo. A tristeza pode
surgir como um peso no estômago, o amor como algo que sentimos na região do
coração, stress ou raiva nos ombros ou no rosto etc. Isso não chega a
surpreender, pois sabemos que as emoções estão ligadas a substâncias químicas
circulando na corrente sanguínea, como adrenalina no caso da raiva ou cortisol
no caso do stress.
A prática de escanear o corpo nos ajuda, principalmente, a
lidar com emoções difíceis. Mais adiante, aprenderemos como trabalhar com
emoções difíceis como raiva ou tristeza, observando seus efeitos no nosso
corpo. É por isso que recomendo que vocês persistam praticando o escaneamento
do corpo até que possam, sem esforço, sentir a sensação de todo o corpo ou, ao
menos, ao longo do tronco, pescoço e cabeça. Quando conduzirem o escaneamento,
fiquem mais tempo nos pontos do corpo que parecem não existir.
Dicas
·
A maior parte das dicas para praticar a Atenção
Consciente respiratória também se aplicam para o escaneamento do corpo.
·
A prática pode ser feita, ocasionalmente,
deitados.
·
Ao observar o corpo como um todo, poderemos
deixar que a respiração, por meio da imaginação, alcance as extremidades do corpo,
como as solas dos pés, as palmas das mãos e as raízes do cabelo.
·
Sempre que uma tensão corporal surgir, podemos
imaginar que a soltamos, libertamos todas as tensões.
·
Devemos deixar de lado ideias como “não estou
fazendo isso direito”. Dormir, ser levado por pensamentos ou outras distrações
são apenas a experiência de um momento.
·
Trate as sensações em outros pontos como
distrações similares a pensamentos ou ruídos exteriores.
·
Faça o escaneamento do corpo regularmente sem
usar a gravação. Se tiver áreas que parecem não existir, permaneça nelas por
mais tempo para permitir que alguma sensação surja. Nunca force o aparecimento
de sensações, tampouco se aborreça quando elas não surgem numa determinada
área. O escaneamento do corpo é simplesmente um exercício de observação.
Atitudes que favorecem a prática da Atenção Consciente
A Atenção Consciente é um aprendizado como outro qualquer.
Não podemos “FAZER”; precisamos deixar que aconteça. Nosso ser deve estar
inteiramente no processo. A atitude que adotamos é crucial. É o solo onde
cultivaremos a habilidade de acalmar nossa mente, de descontrair (desestressar)
nosso corpo, de nos concentrar e enxergar tudo com mais clareza. Existem sete
“pilares” interrelacionados da prática de Atenção Consciente que irão nos ajudar.
Tais atitudes serão por sua vez aprimoradas com a prática da Atenção
Consciente.
·
Mente de iniciante
·
Paciência
·
Persistência
·
Não forçar ou lutar contra
·
Autoconfiança
·
Soltar (deixar partir)
·
Aceitação
Mente de iniciante é a
atitude de considerar qualquer situação em que estejamos, por mais familiar que
seja, como algo completamente novo. Exemplos: “As últimas vezes que fiz o escaneamento do corpo foram
relaxantes, mas agora é um novo momento. Me pergunto o que será hoje?”. “Adoro
a sensação crocante e saborosa dos cereais no café da manhã, mas a experiência
de hoje pode ser diferente – ou a mesma”. É interessante notar que algo que
acontece regularmente e é até previsível, como um pôr do sol, pode ser visto
com novos olhos todos os dias. A mente de iniciante é especialmente útil para
nos ajudar a voltar para nossa respiração com o mesmo frescor e repetir isso
muitas e muitas vezes.
Isso nos leva à paciência.
“Como cultivar paciência?”, me perguntou desesperadamente Judy. Jon Kabat-Zinn
disse em Full Catastrophe Living, que
“paciência é uma forma de sabedoria... por que correr de alguns momentos para
atingir outros “melhores”... ser paciente é simplesmente estar completamente
aberto à cada momento, aceitando sua plenitude, sabendo que, como uma
borboleta, as coisas só podem desabrochar no seu próprio tempo.” Judy
respondeu: “Enquanto isso meu tempo biológico está passando”. Ocupar o tempo
que foi reservado para a prática pode ajudar nesse caso, mas, se tudo falhar,
adote a regra do três. As duas primeiras vezes que você se sentir entediado ou
impaciente, observe os pensamentos e as sensações corporais associadas a isso;
note especialmente as sensações corporais ao longo da linha que passa pelo pescoço,
coração, estômago e barriga. Na terceira vez, levante-se, passeie em volta o
mais atentamente possível e, então, retome a prática e prossiga até completar o
tempo determinado para tanto, ou dirija-se ao que faria depois.
O atributo persistência também pode
nos ajudar nesse ponto. Persistência significa prosseguir mesmo em tempos
difíceis ou quando não vemos os benefícios da nossa prática. Alguns professores
dizem: “Você não precisa gostar, apenas faça”. Há uma qualidade de persistência
nisso. Para mim, a persistência aparece quando consigo manter minha prática,
ainda que minimamente, durante um período difícil de mais de um ano.
Não forçar é o outro lado
da moeda da persistência. Tentar com excessivo empenho é um risco
principalmente nos primeiros dias de uma prática. Podemos forçar de várias
maneiras: lutando para sentir algo da maneira correta; tentando reduzir nossos
pensamentos ao mínimo possível; esforçando-nos para diminuir nossa depressão ou
ansiedade ou para nos sentirmos mais descontraídos. Quando estamos “forçando”,
vale a pena lembrar que a única coisa que devemos fazer numa prática de Atenção
Consciente é observar o que está acontecendo (ex. uma sensação) e voltar para o
foco ao perceber estávamos distraídos - nada mais do que isso. Costumo
aconselhar meus clientes a fazerem
uma lista das metas que pretendem atingir ao comparecer a uma sessão de Atenção
Consciente. Tendo identificado isso, eles podem esquecer de tudo por algum
tempo. Lutar por esses objetivos, em particular almejando-os ou querendo que
aconteçam, é contraprodutivo (embora seja perfeitamente normal batalhar por um
determinado emprego se é isso que você quer).
Como resultado de nos sentarmos
de maneira paciente e persistente, com uma mente de iniciante, desenvolveremos autoconfiança
e a habilidade de soltar as coisas e aceitá-las como elas são. Como diz Jon
Kabat-Zinn, “autoconfiança é intuição, respeitar nossos sentimentos e gerar
confiança em nossa sabedoria e bondade básicas”. Há um famoso ditado no budismo
que diz o seguinte: se você encontrar Buda num caminho, então, mate-o. Penso
que significa que finalmente devemos encontrar nosso próprio caminho e não nos
prendermos ao caminho do nosso professor ou de outra pessoa qualquer.
Desenvolver autoconfiança é um primeiro passo nessa direção.
Na Índia, captura-se um macaco
fazendo um pequeno orifício em um coco e introduzindo um doce dentro. O macaco
se aproxima, enfia a mão dentro do coco e agarra o doce. Porém, agora sua mão
tornou-se larga demais para poder sair... e dizem que o macaco nunca solta o
doce. Soltar, antiapego, é fundamental para a Atenção
Consciente. Assim como deixamos partir cada respiração, permitindo a chegada da
próxima para de novo deixá-la partir (fácil!), também devemos soltar um
pensamento e todos os seguintes (menos fácil). O mesmo se aplica às nossas
experiências interiores, algumas das quais não queremos largar: o modo como um
amigo nos tratou no passado, o medo de um futuro encontro, o prazer antecipado
de um domingo de esporte. Com Atenção Consciente, aprenderemos a soltar tais
experiências (ou retê-las, mas a escolha será nossa). Já temos ao menos um
pouco de experiência nesse “soltar” as coisas, pois essa é a única maneira de
cairmos no sono.
Com o soltar chegamos à aceitação. Não
significa que devemos aceitar nossa condição atual ou uma doença como algo que
será sempre assim; tampouco significa aceitar as injustiças do mundo como se
fossem normais e inelutáveis.
Significa aceitar a verdade do
momento presente tal como ele se apresenta, aceitar a maneira como as coisas
são num determinado momento. Se estivermos perdidos numa floresta, será melhor
aceitarmos essa verdade, em vez de correr desnorteados, sem nenhum plano de
ação preciso. Uma vez tendo aceito aquilo que está acontecendo, poderemos
dirigir plenamente nossa atenção para sair da situação. “A aceitação, nesse
sentido, é simplesmente a boa vontade de ver as coisas como elas são”, diz
Kabat-Zinn.
Lidar com as barreiras a uma
prática regular de Atenção Consciente
“Sim, é simples; não, não é
simples”. Aplica-se perfeitamente quando se trata de estabelecer uma prática
regular de Atenção Consciente. São muitas as pessoas que me procuram surpresas
com a dificuldade de praticar, e não existe uma maneira clara de lidar com as
dificuldades. Não há dúvida de que é útil reservarmos sempre o mesmo horário
para praticar, como de manhã antes do banho ou antes do jantar. Também ajuda,
nos sentarmos sempre num mesmo lugar que seja relativamente silencioso,
desligar o celular etc. Porém, mesmo assim haverá sempre coisas capazes de
atrapalhar nosso caminho.
Talvez a maior barreira seja ter
uma idéia rígida sobre a maneira correta de fazer algo ou sobre como devemos
nos sentir. Em geral, a prática da Atenção Consciente nos deixa mais relaxados
e como é isso o que queremos obter, principalmente quando estamos estressados,
somos levados a concluir que estamos praticando erroneamente quando nos
sentimos agitados. Podemos pensar que estamos errados de mil maneiras. Certa
vez um cliente me disse: “Não consegui atingir esse ponto de equilíbrio calmo,
então parei de praticar”. Embora a calma seja um dos muitos benefícios da
Atenção Consciente, devemos entender que existem momentos em que, de fato, não
estamos calmos. O benefício da Atenção Consciente pode não ser tão óbvio nessas
situações, mas é importante nos familiarizarmos com elas e nos aceitarmos
plenamente em todos nos nossos estados de humor.
Encontrar tempo é outra barreira.
“Estou muito ocupado para meditar”, disse um cliente. Há muitas maneiras de
lidar com essa objeção. Uma delas seria estimular nossa curiosidade sobre nossa
falta de tempo. O que são todas essas coisas que precisamos fazer? Repare que,
no momento atual, elas são altamente prioritárias; constate isso sem emitir
qualquer julgamento. Talvez o café da manhã, dormir cinco minutos a mais,
responder a um telefonema e lavar a louça estejam todos na frente da prática da
Atenção Consciente. O importante é registrar que hoje isso é assim; sem julgar.
No momento em que fizer isso, você estará trazendo a atenção consciente para a
situação.
Outra alegação similar a não ter
tempo é dizer: “antes tenho de fazer tal coisa”. Pode ser um email, uma xícara
de chá ou alguma tarefa doméstica. Novamente, trazer a Atenção Consciente para
suportar a situação pode ajudar. É possível que a clareza de pensar – agora vou
passar esse email e depois fazer minha prática – funcione para você. Mas fique
atento quando os emails e as outras tarefas se apresentarem como alternativas à
prática.
Por que estamos sempre adiando
nossa prática de Atenção Consciente? Na minha opinião isso acontece porque nosso
ego não gosta disso. Ele costumava estar no controle, dando ordens e exigindo
entretenimentos. Uma coisa que descobri com o tempo é que o ego perderá o
controlar por um curto espaço de tempo – mais ou menos três respirações. Nos
anos oitenta, passei por vários períodos em que senti minha prática de
meditação como um peso. O compromisso que assumi comigo mesmo foi o de me
sentar diariamente na almofada por um curto período de tempo – três
respirações. Algumas vezes menos que isso. Vocês podem fazer o mesmo; quando
perderem a hora, tentem se sentar brevemente no lugar de meditação,
reconhecendo isso como sendo a sua prática; depois, sigam em frente, sem
autocríticas.
Outra técnica que recomendo
quando percebermos que não fizemos nossa prática no final do dia é fazê-la
deitados na cama – é um bom momento para tomar consciência da nossa respiração
e pode nos ajudar a dormir.
“Não deu certo, tenho de ir mais
fundo”. É assim que reagem alguns estudantes - uma resposta perfeitamente
compreensível na nossa sociedade de empreendedores individualistas. É claro que
a persistência às vezes ajuda. Buda ensinou o esforço correto e até reafirmou
seu ensinamento dando o exemplo da corda de violino. Muito apertada, ela
quebra; muito frouxa, não produz nenhum som. Apertar demais a concentração é
tão contraprodutivo quanto permitir que a mente divague sem a intenção retomar
seu foco. É nesse ponto que precisamos praticar habilidosamente: às vezes
intensificando um pouco o esforço (logo no início da sessão), outras vezes relaxando
um pouco mais ou adotando uma atitude mais observadora.
Se o escaneamento do corpo nos
parecer mais fácil do que a respiração, devemos privilegiá-lo, principalmente
no início enquanto estamos estabelecendo nossa prática. Nesse caso, praticaremos
a respiração uma ou duas vezes por semana. No início, devemos preferir aquilo
que funciona melhor para nós.
Qualquer que seja a barreira que
surgir, o importante é lembrar-se do segundo fundamento da prática: o não
julgamento. Se não pude praticar hoje, então, tudo bem, esse “não praticar”
será a verdade do momento – admitimos isso tal qual. Ao fazê-lo estaremos
praticando alguma Atenção Consciente.
Prática de Atenção Consciente – Sumário
- Adotar uma postura digna, ereta, ajuda o exercício da Atenção Consciente.
- Atenção Consciente respiratória significa observar qualquer sensação física ligada à respiração; por exemplo, o subir e o descer do abdômen e a retomada desse foco, sem julgamento, sempre que notarmos que nos distraímos.
- A respiração igual é muito útil para acalmar a mente quando nossos pensamentos estão descontrolados.
- O escaneamento do corpo é uma observação progressiva das sensações em cada uma das partes do corpo, uma por vez.
- A respiração consciente é muito útil quando não conseguimos dormir.
- As sete atitudes que ajudam a prática da Atenção Consciente são: mente de iniciante, paciência, persistência, não lutar, autoconfiança deixar ir e aceitação.
4. Como a Atenção Consciente
funciona?
Enquanto a maior parte das nossas
conquistas se dá por meio do “fazer”, a atenção consciente realiza sua
finalidade por meio do “não fazer”, ou seja, simplesmente observando. Não há
nada a ser “feito” numa sessão de Atenção Consciente.
Os pensamentos negativos perdem
seu poder sobre nós
Os fundamentos de um exercício de
Atenção Consciente são: ficar no presente o mais que pudermos observando alguma
sensação, tal como a respiração, e voltar a ela sempre que nos distrairmos. A
segunda parte da Atenção Consciente, o não julgar, significa que voltamos para
a respiração sem nos criticar por nos termos distraído e também que nos
exercitamos a não julgar os pensamentos que estamos tendo ou o nosso estado
mental – por exemplo, agitado. A melhor atitude seria – “minha mente parece um
pouco agitada hoje”. Praticar Atenção Consciente dessa maneira nos permite
enxergar nossos pensamentos e emoções por aquilo que eles de fato são:
pensamentos que estamos tendo num determinado momento e emoções que estamos
experimentando. Isso é a base dos muitos benefícios que a Atenção Consciente
nos traz e, além disso, nos permite enxergar a vida ao nosso redor com novos
olhos.
Pensamentos como “Sou um
estúpido” ou “Estou sozinho, ninguém gosta de mim” costumam ser sutis e, em
geral, acreditamos neles sem nenhuma visão crítica, especialmente quando
estamos nos sentindo um pouco para baixo. Tomando consciência do momento
presente e simplesmente permitindo que nossos pensamentos aconteçam, sem dar-lhes
muita atenção e, principalmente, sem julgá-los, conseguiremos esvaziar o seu
poder. Um cliente usou a expressão – “tirar o oxigênio deles”. Como resultado,
assimilaremos aos poucos a ideia de que eles são meros pensamentos de um dado
momento e que, portanto, não precisamos acreditar piamente neles. Acontecerá o
mesmo com a raiva e outras fortes emoções; entenderemos que são meras emoções,
surgindo intensamente em nós; nada mais do que isso. Sentimos raiva num
determinado momento, mas essa raiva não é o que nos define e vai passar. Vamos
parar de nos identificar tão estreitamente com nossos pensamentos e emoções.
Nossa mente cessará de ser dominada por fortes emoções e pensamentos e aos
poucos vamos controlá-la. Na essência, não mudamos nossos pensamentos nem os
expulsamos. Isso só serviria para que voltassem sob outras formas. O que muda,
em vez disso, é a nossa atitude
frente aos pensamentos.
Eu tenho pensamentos, mas não sou meus pensamentos.
Eu tenho sentimentos, mas não sou meus sentimentos.
Eu tenho sensações corporais, mas não sou minhas sensações corporais.
Familiaridade
com nossos pensamentos
A atenção consciente respiratória
permite-nos observar nossos pensamentos. Como resultado, poderemos gradualmente
nos familiarizar com os padrões de pensamento mais comuns. Acho útil e
recomendo que os praticantes mantenham um diário onde anotem seus pensamentos,
especialmente em situações difíceis ou diante de emoções perturbadoras. Tomando
consciência de nossos pensamentos difíceis, como aqueles que causam depressão
ou ansiedade, seremos capazes de detectar rapidamente seu surgimento. Então,
poderemos recorrer a diversos meios para desarmar o tal pensamento, como, por
exemplo, desligá-lo com exercícios de respiração
igual (terceiro capítulo), ou taxar o pensamento de inútil e dirigir
nossa atenção para uma sensação (praticando Atenção Consciente). Desligar um
pensamento usando a técnica de parar de pensar
não faz parte da Atenção Consciente, mas provisoriamente pode ser muito útil.
Menos reatividade
Com mais consciência de nossos
pensamentos e padrões de comportamento, é mais provável que percebamos uma
situação difícil assim que ela se desenvolve. Num relacionamento de casal, por
exemplo, perceberemos que estamos entrando num terreno delicado, que geralmente
acaba em briga e raiva. Se
pudermos enxergar isso, teremos a possibilidade de lidar com o acontecimento de
maneiras novas em vez de “deixar rolar” como um hábito. Mesmo que nossa decisão
seja seguir o caminho de sempre, poderemos escolher respostas diferentes das
nossas usuais, reativas.
Sentimento ou sentimentos
Temos a habilidade de sentir as
coisas de diferentes maneiras. Alguns de nós evitam ou reprimem a maior parte
de suas emoções, negando a perturbação que nos causam, especialmente quando nos
parecem inaceitáveis. Pessoalmente tive de percorrer um longo caminho até
aprender que a maioria dos meus sentimentos que tenho são apenas isso, emoções
que estou experimentando e seus efeitos físicos - como o afundamento no
estomago ou o rubor facial que acompanham a raiva. A Atenção Consciente,
especialmente o escaneamento do corpo, pode nos ajudar enormemente nesse ponto.
Ao Praticando a percepção das sensações corporais (o escaneamento do corpo),
viremos a perceber as sensações corporais que acompanham as emoções, de modo
que poderemos experienciar mais plenamente o conjunto da sensação, tanto a
parte física quanto o componente psicológico.
No início, Simon me disse que
frequentemente sentia-se mal. Era o que podia dizer sobre sua sensação. Mas
depois de ter praticado a Atenção Consciente e a exploração guiada dos seus
sentimentos e pensamentos associados, Simon percebeu que tinha sentimentos
constantes de inutilidade que vinham acompanhados por um aperto no peito.
Encorajei-o a se concentrar no que sentia no peito, deixando o sentimento de
inutilidade quieto. Gradualmente parou de lutar contra ambos os sentimentos e
passou a se sentir melhor e mais seguro de si.
Paz, conexão e profunda sabedoria
Conforme praticamos Atenção
Consciente, a conversa dos pensamentos
diminui e obtemos uma sensação de paz. Essa paz permite o surgimento de
uma profunda sabedoria. Às vezes, estou meditando e surge a imagem de um
cliente que não estou conseguindo entender. Acolho o pensamento e (contrariando
o puro espírito da Atenção Consciente) peço por um insight ou permaneço com ele
por algum tempo. Frequentemente o insight surge.
Muitas pessoas relatam que, em
suas vidas diárias, se sentem mais conectadas com as outras pessoas e até com
objetos inanimados, como árvores e utensílios, os quais ganham vida como
resultado delas estarem prestando atenção ao momento presente.
Metáforas
Aprendemos muito por metáforas
durante uma prática de Atenção Consciente. Observar a respiração (ou alguma
outra sensação) é uma metáfora para abandonar o agarramento e a ganância e para
não ansiar por algo que não temos atualmente. A respiração chega, uma a uma, e
nós a observamos. Não nos prendemos a ela, não lamentamos sua passagem, não
almejamos a próxima respiração. Simplesmente aceitamos cada respiração conforme
ela surge, conforme ela passa.
Como tal, isso é um exercício de
ver o momento presente como ele é. Assim como aceitamos a respiração como parte
do que é - exatamente agora-, também podemos aceitar que estamos doentes ou com
raiva ou que existe injustiça no mundo. Isso não significa que não podemos
fazer nada a respeito dessas coisas; seria mais como uma avaliação a partir da
qual poderemos avançar.
Ao voltar repetidamente para a
respiração (ou outra sensação qualquer), sem julgamento, cultivaremos paciência
e gentileza para conosco. Isso é particularmente importante para as pessoas que
tendem ao perfeccionismo ou que alimentam um forte senso critico interior. Tais
pessoas devem ser particularmente cuidadosas para não julgarem sua prática.
"Hoje foi ruim, ontem foi melhor." Note que não há problema em dizer:
"Hoje eu estava inquieto", se isso for verdade para a situação. É o
julgamento de uma situação como boa ou má que nos afasta de experimentá-la
plenamente.
Como metáfora final, na atenção
consciente estamos praticando posicionar nossa mente ali onde NÓS decidimos
fazê-lo. Na maior parte do tempo, somos atraídos por pensamentos que não
escolhemos, talvez obsessivos, talvez mundanos. A atenção consciente nos
permite controlar aonde vai a nossa mente.
Paradoxos
Em geral, começamos a praticar
Atenção Consciente com alguma finalidade, como obter paz ou reduzir nossa
depressão. Paradoxalmente, quanto menos mirarmos tais resultados potenciais e
quando mais nos concentramos na prática de ficar no momento (digamos pela
atenção consciente respiratória), mais os benefícios tenderão a fluir. Isso
acontece porque almejar algum resultado específico é um desejo que nos leva
para o futuro e para fora da Atenção Consciente do momento presente. Como foi
indicado, a Atenção Consciente funciona melhor se praticarmos o exercício em
vez de nos concentrarmos nos ganhos futuros. Uma boa analogia foi um batedor de
beisebol que, ficou de fora nos noventa porque, em vez de se concentrar em
jogar a bola naquele momento, ficou ligado na marcação dos 100.
Muitas pessoas relatam que se
sentem mais relaxadas depois de um exercício de Atenção Consciente. O
relaxamento é um efeito colateral. Se praticarmos com a intenção de relaxar,
correremos o risco de ficarmos mais tensos, pricipalmente, se percebermos que
não estamos relaxando. O melhor é simplesmente fazer um exercício de
relaxamento ou aceitar a experiência descontraída como aquilo que aconteceu
naquele momento. Da próxima vez, poderá ser completamente diferente - sem
expectativas!
Como a Atenção
Consciente funciona? – Sumário
·
Pensamentos negativos e emoções difíceis são
aceitos como a verdade do momento.
·
Nossa atitude frente aos pensamentos negativos e
as emoções difíceis se modifica, de lutar contra eles ou de nos identificarmos
com eles para vê-los como passageiros ou transientes.
·
Familiarizamo-nos com nossos padrões habituais
de pensamento e comportamento e nos tornamos menos reativos, permitindo-nos
reagir com mais flexibilidade.
·
Sentimos nossas sensações de maneira mais plena
e satisfatória.
·
Poderemos obter paz e até sabedoria.
5. A prática de Atenção Consciente
na vida diária
Quando comecei a meditar, eu
praticava diariamente, mas descobri que a sensação de paz e lucidez que sentia
enquanto meditava não se estendia
com facilidade por toda a minha vida. Isso me levou a procurar a Atenção
Consciente, uma técnica mais voltada para a prática na vida cotidiana. Existem
várias maneiras de praticar essa atenção quando estamos na “correria”. Por
exemplo, podemos escolher uma ou duas atividades diárias regulares, pontuando
nosso dia com pequenos exercícios de atenção consciente e aproveitando todas as
oportunidades de praticar que surgirem durante o dia.
Escovar os dentes
Em geral escovamos os dentes
uma ou duas vezes por dia. A maioria de nós faz isso no piloto automático e
geralmente pensando naquilo que iremos fazer a seguir. Que tal seria se
prestássemos atenção à escova de dente na nossa mão, ao gosto da pasta, à
sensação da escova tocando cada dente e em todos os sons que isso produz? Bem,
teríamos feito uma sessão de dois minutos de Atenção Consciente. Tudo o que
acontece quando escovamos os dentes faz parte das sensações, as sensações estão no
presente e "estar no presente" é a primeira característica da Atenção Consciente; além disso, escovar
os dentes favorece o “não julgamento”, que é a segunda característica da Atenção
Consciente. Escovar os dentes com Atenção Consciente pode contribuir para reduzir até os
julgamentos do seu dentista na próxima consulta!
Qualquer atividade cotidiana pode
ser eleita como objeto da prática. Se a atividade demorar mais do que alguns
minutos, escolha os dois primeiros para se exercitar. Exemplos de atividades:
levar o cachorro para passear, comer uma refeição ou dirigir o carro para o
trabalho. Uma pessoa decidiu prestar atenção nos cinco primeiros minutos da sua
aula na universidade e ficou surpresa com a quantidade de informações que isso
lhe rendeu na época. Seja qual for a atividade, enfoque a atenção nas
sensações: o vento tocando seu rosto, a comida na sua boca ou a voz do
professor. Mantenha a atividade escolhida por uma ou algumas semanas e só
depois passe para outra.
Ser mais consciente nas
atividades mundanas diárias é uma grande vantagem. As próprias atividades se tornam mais vibrantes! Uma cliente
me disse que se sentia presente até quando estendia a roupa lavada – “Foi a
primeira vez que vi um pregador de roupa!”. Thich Nhat Hanh descreve o prazer
de lavar pratos durante várias páginas do seu livro.
Mini atenção consciente
Para nos ajudar a manter a
Atenção Consciente ao longo do dia e nos proporcionar momentos de folga das
tarefas diárias, é muito útil fazermos cerca de três intervalos de mini Atenção
Consciente por dia. A técnica é explicada na caixa abaixo (e no áudio-link de mini Atenção Consciente). Mas
o objetivo é fazer pequenos exercícios regulares de Atenção Consciente algumas
vezes por dia. Dependendo da sua rotina, você poderá definir um horário regular
para fazer isso ou aproveitar as oportunidades que se apresentarem, como as
filas de supermercado ou algum intervalo entre as tarefas domésticas. Programei
meu celular para tocar três vezes por dia para me lembrar de fazer o exercício.
Quando trabalho no computador, tenho um programa
que toca um sino japonês de uma em uma hora aproximadamente. Além de me lembrar
de praticar, aproveito para fazer uma pausa e esticar os membros!
Exercício
de mini atenção consciente
Este é um breve exercício de
mini atenção consciente de cinco ou seis respirações, a ser praticado cinco
vezes por dia. Ele pode ser feito em qualquer lugar e a qualquer momento.
1. Saia do piloto automático e
tome consciência daquilo que está fazendo neste exato momento, onde está e no
que está pensando.
2. Torne-se consciente da sua
respiração durante um minuto ou doze respirações.
3. Se quiser, expanda sua
consciência para seu corpo inteiro e depois para todo o ambiente.
A primeira coisa a fazer é
adotar uma postura corporal especial, relaxada, digna, com as costas eretas,
mas não rígidas. Deixe o corpo exprimir uma sensação de estar presente e
desperto.
Agora, feche os olhos. Perceba
exatamente o que está acontecendo com você neste exato momento. Tome
consciência do que está se passando na sua mente. Da melhor maneira que
puder, apenas note os pensamentos como eventos mentais. Agora, perceba as
sensações que está tendo, note em particular se há algum desconforto ou sentimento
desagradável. Em vez de tentar afastá-los ou interrompê-los, apenas tome
consciência deles, talvez dizendo: “Ah... você está aqui, é isso aí”. Faça o
mesmo com as sensações corporais... como tensão, contração ou outra qualquer.
Novamente, limite-se a reconhecê-las... é isso aí.
Assim, você teve uma ideia do
que está acontecendo exatamente agora. Saiu do piloto automático.
O segundo passo, é iniciar a
concentração, enfocando um único objeto – os movimentos da respiração. Vamos
realmente nos concentrar dirigindo o foco da nossa atenção para os movimentos
do abdômem (ou outro ponto ligado a respiração que tenhamos escolhido, como
as narinas ou o céu da boca) e passar um ou dois para enfocar o movimento da
parede abdominal, momento a momento, cada respiração, uma a uma, da melhor
maneira que pudermos. Desse modo, você saberá quando o ar está saindo e
quando está entrando. Amarre a sua consciência ao padrão do movimento, usando
a âncora da respiração para estar realmente presente.
O terceiro passo é permitir que
sua consciência se expanda. Alem de estar consciente da respiração, inclua a
sensação do corpo como um todo, de modo que tenha uma percepção mais
espaçosa. Isso abrange qualquer tensão ou endurecimento nos ombros, pescoço,
costas ou no rosto; siga respiração como se todo o seu corpo estivesse respirando.
Retenha tudo isso com essa percepção espaçosa e leve.
Então, quando se sentir pronto,
abra seus olhos suavemente e prossiga com suas atividades diárias.
Duas alternativas
1. Faça a segunda sessão do
exercício durante um minuto de consciência respiratória ou durante seis
respirações.
2. A prática de três
respirações
“Estamos
aqui” em vários momentos do dia; pode ser na hora escolhida por nós para
fazer o exercício de mini atenção consciente ou pode ser em meio a uma crise
de impaciência, comendo ou em outra situação qualquer. Permaneça com o gosto
visceral da experiência do momento atual.
“O
compromisso é permanecer no momento presente (seja ele aflitivo, neutro ou
agradável), experimentando os vários aspectos dele no espaço de 3
respirações. Fique com a respiração, a experiência do quarto ou de um espaço
aberto, a completa consciência do corpo e de qualquer emoção que esteja
presente”. Zen Heart por Ezra
Bayder.
Talvez você já tenha momento do
dia em que sente que está presente, percebendo repentinamente onde está e
sentindo-se mais vivo ou desperto. Conforme praticar a atenção consciente,
esses momentos poderão se multiplicar. É útil usar qualquer oportunidade para
“estar aqui” durante o dia. Quando isso acontecer, apenas fique durante algum
tempo ou pratique alguma atenção consciente como, por exemplo, seguir a
respiração ou forte sensação no seu campo de visão por alguns minutos. Note o que esta vendo ou
experimentando e, como sempre, permita que a atenção plena flua para a
próxima atividade.
|
Oportunidades para a Atenção
Consciente
Grande parte do dia funcionamos
no piloto automático, não estamos plenamente conscientes do que fazemos.
Estamos preocupados com o que alguém está pensando ou sobre um acontecimento
futuro. De vez em quando percebemos onde estamos e o que estamos fazendo. Esses
momentos são preciosos e, com a prática, acontecem com mais freqüência. Retenha
estes momentos. Reconheça que você está consciente e rapidamente entre
completamente nele, observando por exemplo sua respiração por três ou mais
inspirações e exalações ou atendo-se a sensação mais forte. Se estiver
caminhando num parque, talvez essa sensação seja um cheiro, o vento ou a cor
das árvores. Talvez seja o sabor do café que você está bebendo, o cheiro da sua
comida ou o rosto da sua amada.
Você poderá contribuir para a
freqüência desses momentos incorporando no seu dia alguns gatilhos para a
Atenção Consciente. Tento estar consciente da primeira porção de comida de uma
refeição. Uma marca no meu chuveiro me faz lembrar de sentir a água no meu
corpo durante no início do banho. Outros acontecimentos diários, como ligar a
ignição do carro ou passar por um ponto regular numa caminhada diária, podem
ser usados. Ficar preso no trânsito é um bom exemplo - decida se vai ficar
tenso ou consciente de seus sentimentos. Saiba mais no próximo capítulo.
Além disso, algumas experiências
diárias se prestam a Atenção Consciente. Thich Nhat Hanh, em A Paz é Cada Passo, oferece exemplos de
meditações para comer, andar e dirigir. Reproduzo aqui sua meditação para lavar
louça.
Meditação
para lavar louça
Para mim, achar que lavar
louça é desagradável só pode nos ocorrer quando não estamos fazendo isso.
Quando você está em pé, na frente da pia, com as mangas arregaçadas e as mãos
mergulhadas na água quente, lavar louça é algo realmente agradável. Gosto de me
alongar em cada prato, mantendo-me plenamente consciente dele, da água e dos
movimentos que faço com as mãos. Sei que se eu me apressar para comer a
sobremesa, o tempo que passarei lavando a louça será mais desagradável e
indigno de ser vivido. Isso seria uma pena, pois cada minuto, cada segundo da
vida é um milagre. Os pratos em si e o fato de eu os estar lavando são
milagres!
Se eu for incapaz de lavar
louça alegremente, se quiser terminar a tarefa logo a fim de comer a sobremesa,
serei igualmente incapaz de desfrutar minha sobremesa. Com o garfo na mão,
estarei pensando no que vou fazer a seguir, e a textura e o sabor da sobremesa,
juntamente com o prazer de prová-la, serão perdidos. Estarei sendo sempre
empurrado para o futuro, sem nunca ser capaz de viver no momento presente.
Cada pensamento, cada ação à
luz da consciência torna-se algo sagrado. À essa luz, não existem fronteiras
entre o sagrado e o profano. Devo confessar que demoro mais tempo lavando
pratos, mas eu vivo plenamente no momento, e sou feliz. Lavar pratos é ao mesmo
tempo um meio e um fim – ou seja, não apenas lavamos os pratos para ter pratos
limpos, como também os lavamos por lavar, para viver plenamente em cada momento
enquanto os lavamos.
Thich
Nhat Hanh – Paz é Cada Passo
Qualquer atividade pode ser feita
concienciosamente!
Prática de Atenção Consciente na Vida Diária – Sumário
- Escolha uma atividade comum, como escovar os dentes, alimentar-se ou sair para andar, e pratique os primeiros dois ou três primeiros minutos dela plenamente consciente do que está fazendo, prestando atenção especialmente às sensações presentes.
- Faça diariamente um par de três respirações ou três minutos de exercícios de mini Atenção Consciente.
- Busque oportunidades para praticar a Atenção Consciente das sensações, como num engarrafamento ou fila de supermercado, no banho, ao lavar louça etc.
- Como em todas as outras práticas de atenção consciente, não pare de praticar abruptamente, mas tente manter-se consciente na próxima atividade.
6. Usar Atenção Consciente em
situações difíceis
Não há dúvida de que é vantajoso
termos uma prática de Atenção Consciente e nos tornarmos mais consciente em
todas as nossas atividades diárias, como ao escovar os dentes ou ao lavar
pratos, mas será que a Atenção Consciente pode nos ajudar quando estamos
deprimidos, sentindo raiva ou dor?
Lidando com a depressão
Durante muitos anos, sofri de
depressão praticamente dois dias por semana. Não era branda, tampouco era
profunda a ponto de me impedir de funcionar – eu continuava a fazer as coisas,
sentindo-me apático e desconfortável, às vezes indo para a cama, outras
sufocando meu mal estar numa profusão de atividades ou simplesmente sufocando
meus sentimentos, embora eu percebesse que havia alguma coisa errada. Seguindo
a sugestão de um amigo, comecei a observar o que acontecia com o meu corpo
nesses dias. Percebi sensações específicas em duas áreas. O peito ficava
apertado e havia um grande peso no abdômen. Descobri que, ao me deitar, se
deixasse minhas mãos repousarem livremente, elas invariavelmente acabavam num
desses dois lugares – os chakras 3 e 4 segundo os escritos hindus. Observando
essas sensações mais de perto e imaginando ocasionalmente que minha respiração
estava entrando nessas áreas (respirando dentro delas), percebi que a depressão
se abrandava. Mais tarde, combinando a prática de atenção consciente com a
familiaridade com as sensações e sentimentos associados à depressão, fui capaz
de iniciar mais rapidamente a minha observação. Hoje a depressão ainda volta,
mas com menos frequência. Quando sinto uma certa indolência e uma sensação para
baixo, faço duas coisas. Digo: "Ah você está aqui, voltou outra vez, aonde
vai, o que vai fazer hoje?" É um pouco como se eu estivesse conversando
com um velho conhecido (mal-humorado). Não há hostilidade de ambos os lados.
Observo também a sensação física no coração e plexo solar. Quando faço isso, as
sensações desaparecem na maioria das vezes, embora nem sempre. Quando elas
persistem, aprendi a pensar que está tudo bem, é assim que as coisas são naquele
momento e, portanto, não há razão para eu me aborrecer com isso. Na época eu
não sabia que estava praticando as duas partes da Atenção Consciente: não
julgar e ficar no presente.
Também aprendi a reconhecer as situações
que podem desencadear minha depressão; isso acontece, principalmente quando eu
interpreto algo que me aconteceu como uma rejeição ou quando me sinto solitário;
bem verdade, que às vezes a depressão vem do nada! Surpreendentemente, mas talvez porque esses métodos são muito
eficazes, praticamente desconheço quais são os pensamentos que acompanham minha
depressão, embora suspeite que sejam algum material antigo sobre não ser amado
ou não ter valor - temas comuns na depressão. O Caminho Consciente que atravessa a depressão (ver referências) é
um guia útil, que inclui um CD de exercícios de plena consciência.
Qual é então a maneira consciente
de lidar com emoções fortes e difíceis? A prática da Atenção Consciente
certamente ajuda. Torna nossa vida mais calma. Equivale a mudar o rádio de
heavy metal para música clássica, me disse certa vez um amigo. Tão importante
quanto isso é conhecermos nossa mente e sabermos como ela funciona. Quais são
as situações que desencadeiam essas emoções e quais os pensamentos que fazem a
bola rolar morro abaixo? A Atenção Consciente ajuda-nos a perceber que uma
forte emoção, como raiva ou tristeza, é apenas temporária. Ela não nos define.
Não somos raivosos no sentido de que somos a raiva; estamos experienciando
raiva. Se nos achamos estúpidos ou pensamos que ninguém liga para nós, a
Atenção Consciente poderá nos ajudar a entender que não somos estúpidos,
estamos apenas tendo um pensamento que nos faz acreditar que somos estúpidos ou
não-amados – coisas inteiramente diferentes.
No caso de emoções difíceis, o
importante é identificar a emoção. Isso não é tão fácil como parece, pois não
aceitamos algumas emoções. Conheço pessoas que consideram a raiva inaceitável
e, portanto, são incapazes de reconhecer que sentem raiva. Precisamos cultivar
a habilidade de identificar nossas emoções e isso talvez requeira uma ajuda
profissional. Perguntar aos amigos pode ajudar... desde que não nos ponhamos na
frente deles com as mãos na cintura, dizendo: “Não sou raivoso, sou?”
Aprisionado?
Todas as situações em que nos
sentimos presos ou sem saída são, na realidade, ótimas oportunidades para praticarmos
Atenção Consciente. Filas de supermercado são excelentes, mas a melhor
oportunidade é, de longe, o trânsito. Obrigado aos engarrafamentos... principalmente
quando, por causa deles, vamos chegar atrasados aos nossos compromissos! Ficar
preso no trânsito nos deixa ansiosos, raivosos e até possessos. Logo, não há momento
mais adequado para aprendermos algo sobre nós mesmos. Haveria maneira melhor de
aproveitarmos nosso tempo? Pensamos: "Por que eu não saí mais cedo, por
que não fiz um caminho diferente. Jill vai ficar furiosa comigo". E qual é
o efeito desses pensamentos sobre nós? Ansiedade? Frustração? Nomeie a emoção. O
que a emoção está produzindo no seu corpo, revirando o estômago? O que seria observar
a emoção plenamente como se fosse uma experiência física? Talvez seja o momento
de aplicar a Atenção consciente respiratória ou outras técnicas de respiração,
como a respiração igual (terceiro
capítulo). Depois, você poderá explorar outros momentos em que teve sensações
semelhantes. Talvez você já tenha se sentido aprisionado ou sem saída
anteriormente... ao falar com um superior ou com alguém da sua família.
Logo no início de um curso de Atenção
Consciente que eu conduzia, Judy falou sobre sua indignação contra as pessoas
que, num engarrafamento, usam a pista lateral para ultrapassar outros carros
que também estão presos no trânsito. Isso a enraivecia e geralmente somava-se
ao stress de dirigir. Todos os participantes curso tinham alguma estória sobre
dirigir. Para Judy, esse sentimento veio à tona algumas vezes e, aos poucos,
ela compreendeu que sua raiva “justificada“ não tinha grande serventia, e que,
na realidade, nascia do fato dela se sentir pouco valorizada. Não sei o que
Judy faz agora quando alguém a pressiona, mas espero que ela tenha ao menos a
oportunidade de enxergar sua raiva como uma escolha e possa sentir uma emoção,
como sentir-se desvalorizada, que antecede a raiva.
Raiva
Os benefícios da Atenção
Consciente tornam-se particularmente evidentes quando se trata de lidar com a
raiva. A Atenção Consciente pode
nos ajudar a tomar consciência dos estágios iniciais da raiva ou a notar que
estamos próximos de uma situação que nos causou raiva anteriormente. Isso pode nos
ajudar a identificar os pensamentos raivosos que aceleram a raiva, como, por
exemplo, "Como eles se atrevem!" ou "Isso não é justo". Poderemos
ver com mais clareza o surgimento da energia amada que a raiva nos dá e que,
mais tarde, vai nos custar caro. No auge da raiva ou logo depois dela, a Atenção
Consciente nos permite sentir a raiva de maneira plena e visceral na cabeça,
nos ombros, nos braços, no peito ou onde quer que ela esteja mais forte.
Conhecer nossa raiva, ou qualquer emoção forte, em todos os seus aspectos, nos
abre para uma possibilidade de transformação e de crescimento. (Link raiva). Mais uma vez, Thich Nhat Hanh expressa
isso muito bem (link vídeo).
Atenção Consciente da raiva
A
raiva é um sentimento desagradável. É como uma chama ardente que consome nosso
auto-controle e nos faz dizer e fazer coisas das quais nos arrependeremos mais
tarde. Alguém está enraivecido está visivelmente no inferno. O inferno é feito
de raiva e ódio. Uma mente sem raiva é calma, pura e saudável. A ausência de
raiva é a base da verdadeira felicidade, a base do amor e da compaixão.
Quando
nossa raiva é exposta à luz da Atenção Consciente, ela perde imediatamente uma parte da sua
natureza destrutiva. Podemos dizer a nós mesmos: "(Inspirando) eu sei que
a raiva está em mim. (Expirando) eu sei que eu sou minha raiva." Se
seguirmos nossa respiração mais de perto, enquanto identificamos e observamos
atentamente nossa raiva, ela não conseguirá mais monopolizar nossa consciência.
A
consciência da raiva pode se tornar um companheiro para nossa raiva. Nossa
consciência da nossa raiva não a suprime nem a expulsa. Ela apenas a observa. Esse princípio é muito importante. A Atenção Consciente não é um juiz. Compara-se melhor
a uma irmã mais velha cuidando e confortando a mais nova, com carinho e afeto. Podemos
nos concentrar na respiração, a fim de manter essa atenção consciente e nos
conhecermos plenamente. Quando estamos com raiva, não costumamos olhar para nós
mesmos. Queremos pensar na pessoa que está nos fazendo sentir raiva, pensar nos
seus aspectos odiosos – rudeza, desonestidade, maldade etc. Quanto mais
pensamos nela, lhe damos ouvido ou olhamos para ela, mais a raiva pega fogo.
Sua desonestidade e maldade podem ser reais, imaginárias ou exageradas, mas, na
verdade, a raiz do problema é a nossa própria raiva; logo, temos de voltar
atrás e olhar primeiramente dentro de nós mesmos. O melhor é não dar ouvidos
nem olhar para a pessoa que estamos considerando como a causadora da nossa
raiva. Como um bombeiro, primeiro temos de jogar água no incêndio, em vez de
perder tempo procurando quem ateou o fogo. “(Inspirando) eu sei que estou com
raiva. (Expirando) eu sei que devo investir toda a minha energia em tomar conta
da minha raiva”. Assim, evitaremos pensar sobre a outra pessoa e nos absteremos
de fazer ou dizer o que quer que seja enquanto a raiva persistir. Se
investirmos toda a nossa energia em observar a raiva, evitaremos as ações
prejudiciais passíveis de arrependimento futuro.
Quando estamos enraivecidos, nossa raiva é nosso
próprio self. Suprimir ou afastar essa raiva significa suprimir ou afastar
nosso self. Quando estamos alegres, somos a alegria. Quando estamos raivosos,
somos a raiva. Quando a raiva nasce em nós, podemos tomar consciência de que a raiva
é uma energia em nós, e podemos aceitar essa energia a fim de transformá-la em
outro tipo de energia. Diante de uma lata de compostagem repleta de material
orgânico em decomposição e fedorento, sabemos que isso poderá ser transformado
em lindas flores. Inicialmente, talvez vejamos a compostagem e as flores como
opostos, mas, se olharmos mais profundamente, veremos que as flores já existem
na compostagem, e que a compostagem já existe nas flores. Uma flor leva apenas
algumas semanas para se decompor. Quando um bom jardineiro orgânico olha para
sua compostagem, ele ou ela enxerga as flores, e não sente tristeza ou nojo. Em
vez disso, valoriza a matéria em decomposição e não a discrimina com rejeição.
Uma compostagem leva apenas algumas semanas para dar origem às flores.
Precisamos do insight e da visão não-dual do jardineiro orgânico no que se
refere à nossa raiva. Não é preciso ter medo dela ou rejeitá-la. Sabemos que a
raiva pode ser um tipo de compostagem, e que tem poder para originar algo
bonito. Precisamos da raiva do mesmo modo que o jardineiro precisa da
compostagem. Se soubermos como aceitar nossa raiva, já teremos alguma paz e
alegria. Gradualmente, poderemos transformar completamente a raiva em paz, amor
e compreensão.
Thich Nhat Hanh – Peace is
Every Step
Acolher a adversidade
Provavelmente vocês já notaram
que crescimento e insight nasceram quando tivemos que enfrentar adversidades.
Faz muito tempo que isso é reconhecido, mas que há de novo no caso da Atenção
Consciente é que a adversidade é abraçada ou acolhida como uma oportunidade de
crescimento. Há oitocentos anos atrás, o poeta sufi Rumi expressou isso
lindamente:
The Guest House A Hospedaria
This being human is a guest house. Esse
ser humano é uma hospedaria.
Every morning a new arrival. A
cada manhã, uma nova chegada.
A joy, depression, a meanness, Uma
alegria, uma depressão, uma avareza,
some momentary awareness comes alguma
percepção momentânea chega,
as an unexpected visitor. como
um visitante inesperado.
Welcome and entertain them all! Dê
boas-vindas e entretenha todas eles!
Even if they’re a crowd of sorrows, Mesmo
que sejam uma multidão de dores,
who violently sweep your house que
violentamente varrem sua casa
empty of its furniture. esvaziando-a
de seus móveis
Still, treat every guest honourably. Mesmo
assim, trate cada hóspede honrosamente.
He may be clearing you out Ele
pode estar te liberando
for some new delight. para
algum novo deleite.
The dark thought, the shame, the malice. O
pensamento negro, a vergonha, a maldade.
Meet them at the door laughing, Recebe-os
na soleira rindo
and invite them in. e
convide-os a entrar.
Be grateful for whoever comes, Seja
grato a quem quer que chegue,
because each has been sent pois
cada um foi enviado
as a guide from beyond. como
um guia do além.
Rumi c. 1250 Rumi
c. 1250
Saudar e entreter a todos – que
tarefa! Isso lembra uma prática budista em que você pensa que toda a sua
adversidade foi enviada especialmente para ajudá-lo a crescer.
Outra emoção comum é a tristeza.
Alguns a sentem de forma aguda, outros não a reconhecem. Sentir-se triste pode
nos ajudar a lidar com a perda. Em geral, as pessoas se sentem aliviadas de não
terem a obrigação de combater a tristeza, visto que a aceitam e a experimentam
tanto física como emocionalmente. Algumas dizem que a tristeza tem um certo
sabor de doçura, provavelmente porque nos sentimos fortalecidos e nutridos
quando vivenciamos plenamente essa emoção. O processo de acolher e de analisar
sentimentos fortes e difíceis é basicamente o mesmo para todos eles, e, como de
costume, Thich Nhat Hanh fala sobre isso no seu livro Peace is Every Step. Refere-se poeticamente a segurar, acalmar e
olhar profundamente para o sentimento, da mesma maneira que uma mãe segura,
acalma e olha para seu bebê.
O Dalai Lama diz: "Tento
aplicar esses métodos [de atenção consciente] na minha própria vida. Quando
ouço notícias ruins, especialmente as histórias trágicas relatadas pelos meus
conterrâneos tibetanos, minha reação natural é sentir tristeza. No entanto, ao
contextualizá-las, consigo lidar razoavelmente bem com elas. "
Pensamentos negativos
É surpreendente quantas pessoas
vivenciam pensamentos negativos, algumas vezes um fluxo constante deles. Há pessoas
competentes que alimentam fortes dúvidas sobre sua capacidade, o que as leva a realizarem
grandes feitos. Outras experimentam sensações de inutilidade ou de estupidez
associadas a pensamentos de que elas não são suficientemente inteligentes ou
aptas. Uma mulher linda me contou que sempre que pensava na sua aparência ou se
olhava no espelho surgiam pensamentos de que ela era feia.
A maneira clássica de lidar com
tais pensamentos é procurar suas raízes na infância e talvez descobrir fatos
tais como não ter sido apoiado, amado ou valorizado. No entanto, também podemos
recorrer a atenção consciente para lidar plenamente com nossos pensamentos e
crenças negativas. Podemos nos lembrar dos nossos pensamentos, a fim de
descobrir o que denomino, ironicamente, nossos pensamentos negativos
"favoritos".
Para encontrar tais pensamentos e
trabalhar com eles precisaremos em muitos casos da habilidade de um bom
terapeuta, mas as regras gerais da atenção consciente sempre se aplicam:
acolher os pensamentos, sem colocá-los no centro do palco, reconhecer e nomear
a emoção e notar as sensações corporais (do mesmo modo que fiz com a minha
depressão). Trataremos desse ponto mais detalhadamente no próximo capítulo.
Diálogo atento
Não é fácil estar plenamente
atentos quando conversamos com os outros, pois muitas emoções estão em jogo.
Por exemplo, costumos ficar ligeiramente tenso quando estou trabalhando com
meus clientes ou agitado numa conversação e, nesses casos, o que me ajuda é
examinar meu corpo: "onde está a tensão - solte", "a respiração
mudou – perceba" . Respire um pouco mais lenta e profundamente. Outra
coisa que pode ajudar, é retomarmos sempre a âncora da respiração,
especialmente quando a outra pessoa estiver falando. Gregório Kramer
transformou a conversa numa experiência de atenção consciente, usando uma
técnica que chamou de Diálogo de Insight.
Sua abordagem básica para o diálogo tem seis princípios: primeiro fazer uma pausa e relaxar; depois, abrir-se e confiar que aquilo que dizemos está correto. Finalmente, aprender a
escutar profundamente e a falar a verdade completam as seis
diretrizes. Workshops ensinando a praticar esses seis pontos acontecem
anualmente na Austrália e em todo o mundo. Também é possível participar de redes baseadas nos grupos
de Diálogo de Insight. O livro de Kramer chama-se Insight Dialogue e seu site é www.metta.org.
Como usar Atenção Consciente em situações difíceis – Sumário
- A maneira atenciosa de lidar com situações difíceis e emoções perturbadoras inclui os seguintes pontos:
- Tornar-se mais consciente dos nossos pensamentos negativos;
- Acolher as situações difíceis e as emoções perturbadoras e aprender a trabalhar com elas;
- Aprender a se conscientizar das nossas sensações corporais e a respirar nelas para lidar com emoções perturbadoras.
7. Pensamentos, emoções e
sensações corporais
Como usá-los para lidar com
situações difíceis
Conforme foi indicado no capítulo
anterior, situações difíceis, emoções e dores podem ser trabalhadas de diversas
maneiras. Se optarmos pela Atenção Consciente, iremos nos concentrar em nossos
pensamentos, emoções e sensações corporais.
Vamos imaginar a seguinte situação: Estamos assistindo a uma
palestra e de repente a ansiedade se instala em nós; nos sentimos estúpidos
porque não estamos entendendo o que está sendo dito, nosso estômago revira e
sentimos o impulso de sair da sala. Como a ação de estar numa palestra evoluiu
para a ação de sair dela? Um psicólogo freudiano poderia explicar isso dizendo
que a ansiedade que sentimos agora teve origem na ansiedade que sentimos no
passado ao não termos conseguido corresponder à forte expectativa que nossos
pais depositaram em nós. Visto de outro ponto de vista, poderíamos dizer que
alguma opinião sobre nós mesmos, do tipo “sou inteligente”, entrou em choque
com a experiência de não estarmos entendendo nada. Os praticantes da Atenção
Consciente, tanto os antigos como os contemporâneos, explicam de que modo a
nossa mente funciona, em particular, eles explicam como a escolha do que fazer
se dá em termos de nossos pensamentos,
emoções (sensações) e sensações corporais. (Prefiro a palavra
“emoção” em vez de “sensação”, para melhor distinguir a emoção de sensações
corporais, que também são um tipo de sensação).
O diagrama a seguir descreve a
situação da palestra, onde os pensamentos passam do particular para o geral e
depois crescem numa espiral descontrolada, resultando em ansiedade. Além disso,
a ansiedade pode alterar nossa respiração e/ou provocar suor nas mãos ou
borboletas no estômago (ou seja, uma sensação
corporal). A raiva pode ser associada a um aperto no peito ou a uma tensão
na cabeça. A tristeza pode causar peso ou aperto no peito. Há muitas variações,
mas, em geral, as emoções podem ser associadas a sensações corporais. O
desconforto ou o sofrimento associados a uma emoção podem ser intensificados
pelos nossos esforços em combater a emoção e afastá-la, e de fazermos o mesmo
com as suas sensações corporais associadas.
Quando vivemos emoções intensas,
tomamos medidas para reduzir a tensão da emoção. Na situação da palestra, por
exemplo, sair da sala possivelmente permitirá que o estudante acalme seus
pensamentos. Talvez ele resolva beber alguma coisa para reduzir ainda mais a
tensão.
Esse modelo de como uma situação
se desenvolve em nossa mente e leva a uma ação ajuda-nos a entender como administrar
uma situação difícil que resulta em forte emoção.
A Atenção Consciente pode nos
ajudar em todos os aspectos, especialmente se uma situação já tiver se mostrado
difícil no passado. Na situação da palestra, vemos que os pensamentos tornam-se
mais invasivos e abrangentes. Eles se desenvolvem de "isto é
difícil", o que pode ser verdade, para "nunca vou entender" e
para "sou estúpido", um rótulo global que engloba todas as situações.
Evidentemente, os pensamentos estão fora de controle. Eles se transformaram em
ansiedade, e esta, por sua vez, está alimentando os pensamentos - um círculo
vicioso.
Técnicas respiratórias são mais
úteis logo no início de uma situação. Respiração igual (capítulo três) bem como
rotular os pensamentos como inúteis e, depois, concentrar-se na respiração,
funcionam melhor para enfraquecer os pensamentos durante essas fases iniciais.
Conforme uma emoção cresce, diferentes
técnicas podem ser empregadas. É interessante notar que nada pode ser feito
para mudar diretamente a emoção. No entanto, como os pensamentos tem sua base
no cérebro, eles podem ser alterados ou interrompidos de acordo à vontade.
[Tente isso: pense num macaco azul, agora... Provavelmente você conseguiu,
embora macacos azuis não existam. Agora tente isso: fique triste... Provavelmente, não conseguiu, a não ser
que tenha pensado em algo triste, como uma perda ou morte]. A principal
diferença entre pensamentos e emoções é que as emoções estão associadas a
hormônios no sangue. Por exemplo, quando ficamos com raiva, existe adrenalina
na corrente sanguínea. Mesmo se não continuarmos a alimentar nossa raiva, vai
ser preciso, no mínimo, uns cinco minutos para a adrenalina baixar.
Vemos então que não podemos mudar diretamente uma emoção, mas temos escolha de senti-la
plenamente ou de nos distrair, e podemos afetá-la tanto pelo lado do pensamento como da sensação
corporal. A escolha de não alimentar uma emoção difícil com pensamentos
costuma resultar na sua dissolução,
permitindo que seus mensageiros químicos (hormônios) se
desfaçam e saiam da corrente sanguínea. Esses hormônios são os maiores responsáveis
pelas sensações corporais associadas às emoções,
embora algumas pessoas não façam distinção entre os dois. Assim, a onda
de energia e o fluxo de sangue
para os músculos causados pela adrenalina são a raiva e o peso na boca do
estômago é
o medo. É portando útil fazer uma distinção entre o componente
psicológico (a emoção) e o componente fisiológico (a sensação corporal).
Na prática de escanear o corpo, devemos nos
concentrar nas sensações corporais, a sensação de frio ou calor, o toque das
roupas, a movimentação do tórax etc. Deixamos que todo o resto, como
pensamentos, sons e emoções, apenas sejam o que são.
Se estamos sendo fortemente influenciados por uma emoção, como raiva, tristeza ou ansiedade, esta é a verdade do momento presente – então, sinta a emoção, esteja plenamente com ela (se
for seguro). Uma das melhores maneiras de fazer isso sem se sobrecarregar,
consiste em prestar atenção ao lado
fisiológico, a sensação corporal associada. Por exemplo, quando eu estava deprimido, descobri
que podia sentir a depressão no meu estômago, um bolo no estômago. Algo que
parecia denso e pesado, com contornos bem definidos – eu era capaz de traçar
seu contorno com o dedo. Não parecia nem quente nem frio e estava parado. Ao me concentrar principalmente na sensação, embora reconhecendo e sentindo o desconforto ligado a ela (na condição de um observador participante,
como dizia meu professor de
Zen), descobri que o sofrimento era menor e que eu podia
passar pela experiência sem ser pego por ela. Usei
a técnica com muitos clientes e a maioria teve uma experiência similar. Segue
um conjunto de perguntas que costumo
usar para ajudar as pessoas a vivenciarem
uma emoção perturbadora plenamente,
visceralmente em seu corpo.
• Onde está a sensação física?
Desenhe seu contorno com o dedo.
• É pesada ou leve?
• É apertada ou solta, compacta ou densa?
• É quente ou fria?
• Está se movendo ou está parada?
• Sua área está crescendo ou diminuindo?
• É pesada ou leve?
• É apertada ou solta, compacta ou densa?
• É quente ou fria?
• Está se movendo ou está parada?
• Sua área está crescendo ou diminuindo?
As respostas a essas perguntas não importam muito.
As perguntas são apenas um recurso para mantermos o foco no físico e elas podem
ser abandonadas conforme nos familiarizarmos melhor com uma emoção e suas sensações
associadas.
Uma técnica extremamente útil consiste em “respirar na sensação”. Com
isso quero dizer que imaginamos que
nossa respiração flui para a área da sensação quando inspiramos, e vai para
fora quando expiramos. Fazendo isso, estamos enfocando tanto a respiração como a sensação corporal e
isso geralmente ajuda a trabalhar a emoção.
Será difícil fazermos isso se estivermos
desatentos ou envolvidos em conversas de forte teor emocional. Contudo, quanto mais conseguirmos "encontrar nosso corpo" nessa
situação, melhor será. Se as emoções e sensações ainda
estiverem com você quando chegar em casa, e isso
acontece muitas vezes, então permita-se experienciá-las plenamente.
Apresento a seguir um resumo de como lidar com uma
situação que está se desenvolvendo. As intervenções com base na atenção consciente estão
em negrito. Como regra bem geral,
as estratégias apresentadas anteriormente são mais fáceis e eficazes a
curto prazo, quando comparadas às estratégias da atenção consciente, que exigem um pouco de
persistência mas são mais profundas.
Situação
Você pode:
• Evitar a situação, (não ir à palestra!);
• Modificar a situação;
• Preparar-se para a situação (lendo de antemão o material da palestra);
• Aprender, talvez por meio da atenção consciente, quais são os tipos de situações que costumam ser complicadas para você;
• Entrar na situação plenamente, conscientemente, com o mínimo de expectativas possível (isso lhe dará uma mente de iniciante, que permite uma abordagem flexível).
• Evitar a situação, (não ir à palestra!);
• Modificar a situação;
• Preparar-se para a situação (lendo de antemão o material da palestra);
• Aprender, talvez por meio da atenção consciente, quais são os tipos de situações que costumam ser complicadas para você;
• Entrar na situação plenamente, conscientemente, com o mínimo de expectativas possível (isso lhe dará uma mente de iniciante, que permite uma abordagem flexível).
Pensamentos
Você pode:
• Interromper o pensamento (Interrupção de pensamento é uma técnica comum na terapia cognitiva-comportamental);
• Desafiar os pensamentos ("Já estudei temas difíceis antes e me sai bem, o que mostra que sou capaz");
• Usar alguma técnica de respiração, como a respiração igual (capítulo três) para diminuir os pensamentos e recuperar o controle sobre eles;
• Aprender, com a atenção consciente e/ou um diário de pensamentos, quais são os seus pensamentos negativos "favoritos", de modo que possa rapidamente identificá-los e passar para a atenção consciente ou outras intervenções;
• Rotular tais pensamentos como "inúteis";
• Quando tomar consciência de que seus pensamentos tornaram-se inúteis, rotule-os como tal e concentre-se na respiração ou em outra sensação forte. Isto o deixará mais plenamente no momento presente e enfraquecerá a garra dos pensamentos – eles são meros pensamentos, não devemos tomá-los por verdades nem acreditar neles de maneira acrítica. Normalmente eles darão lugar a outros pensamentos conforme a mente se movimentar.
• Interromper o pensamento (Interrupção de pensamento é uma técnica comum na terapia cognitiva-comportamental);
• Desafiar os pensamentos ("Já estudei temas difíceis antes e me sai bem, o que mostra que sou capaz");
• Usar alguma técnica de respiração, como a respiração igual (capítulo três) para diminuir os pensamentos e recuperar o controle sobre eles;
• Aprender, com a atenção consciente e/ou um diário de pensamentos, quais são os seus pensamentos negativos "favoritos", de modo que possa rapidamente identificá-los e passar para a atenção consciente ou outras intervenções;
• Rotular tais pensamentos como "inúteis";
• Quando tomar consciência de que seus pensamentos tornaram-se inúteis, rotule-os como tal e concentre-se na respiração ou em outra sensação forte. Isto o deixará mais plenamente no momento presente e enfraquecerá a garra dos pensamentos – eles são meros pensamentos, não devemos tomá-los por verdades nem acreditar neles de maneira acrítica. Normalmente eles darão lugar a outros pensamentos conforme a mente se movimentar.
Emoções
Não há nada que se possa fazer diretamente para mudar
uma emoção!
O que você pode é:
• Distrair-se da angústia de uma emoção (ouvindo música ou saindo para uma corrida);
• Usar uma técnica de respiração para reduzir lentamente a emoção - por exemplo, respiração igual (capítulo 3);
• Qualificar-se e adquirir experiência para lidar com suas emoções perturbadoras, por meio de técnicas, como experimentar plenamente a emoção (se for seguro fazê-lo). Sente-se com a emoção por algum tempo. Não tente se livrar dela, mas sinta a emoção conscientemente. Reconheça, ou seja, nomeie a emoção. Diga, por exemplo, “estou triste. Isso pode ser muito útil. As emoções também podem ser tratadas por meio das sensações corporais associadas a elas.
• Distrair-se da angústia de uma emoção (ouvindo música ou saindo para uma corrida);
• Usar uma técnica de respiração para reduzir lentamente a emoção - por exemplo, respiração igual (capítulo 3);
• Qualificar-se e adquirir experiência para lidar com suas emoções perturbadoras, por meio de técnicas, como experimentar plenamente a emoção (se for seguro fazê-lo). Sente-se com a emoção por algum tempo. Não tente se livrar dela, mas sinta a emoção conscientemente. Reconheça, ou seja, nomeie a emoção. Diga, por exemplo, “estou triste. Isso pode ser muito útil. As emoções também podem ser tratadas por meio das sensações corporais associadas a elas.
Sensações corporais
A melhor maneira de lidar com as sensações
corporais é sentar-se com elas e conscientemente senti-las de maneira plena e visceral, como parte de sentir a
emoção. “Respirar na sensação” pode ser particularmente útil. As sensações
corporais que podem ocasionar sintomas físicos significativos, como dor de
cabeça, diarreia ou vómitos, devem ser observadas com cuidado, certificando-se
de que você é capaz de lidar com as possíveis consequências. Deixe surgir a
emoção respeitando seu limite de lidar com ela.
Ação
Em situações muito pesadas, o que deve ser feito é
reduzir rapidamente a tensão ou a carga emocional. A alternativa consciente é perceber
o que a emoção está tentando levá-lo a fazer. Então, escolha conscientemente o curso da sua ação (por exemplo, decida ficar
na sala e ouvir o restante da palestra, ou decida sair e fazer outra coisa).
Pensamentos, emoções e sensações
corporais – Resumo
• Entrar plenamente na situação difícil, conscientemente.
• Rotular os pensamentos difíceis como "inúteis".
• Nomear a emoção e entrar nela plenamente (se for seguro).
• Experiênciar as sensações associadas de maneira plena e visceral. Usar perguntas para se enfocar no físico; por exemplo, "onde estão as bordas dessa sensação?", "ela é rígida ou mole, pesada ou leve, quente ou fria."
• Escolher conscientemente o curso da ação.
8. Estresse
A vida moderna é muito estressante. Os níveis de estresse aumentaram 45% em 30 anos. Pressões de trabalho e rupturas familiares são as principais causas de estresse. Estamos todos familiarizados com esses dados, mas o que é o estresse?
Se um tigre se aproximasse de você nesse instante,
sua reação teria de ser imediata. O mais inteligente seria fugir, batendo a
porta atrás de você. Ou, se não houvesse para onde correr, você poderia pegar
uma cadeira e tentar combatê-lo. Pode ser que mais tarde você percebesse outras
possibilidades de ação que foram ignoradas naquele momento. Em situações
perigosas o coração e a respiração se aceleram, o sangue flui para os músculos
e os hormônios, como a adrenalina, começam a fluir nas artérias. A mente fica
plenamente focada. Esse é o mecanismo de luta ou de fuga que foi desenvolvido
pelos seres humanos há milhões de anos e muito nos ajudou na condição de caçadores-coletores.
Até hoje temos o sistema nervoso simpático trabalhando para ativar tais
mudanças e nosso organismo.
Esse exemplo mostra quais são os elementos básicos
do estresse. Primeiro, há um estressor
que exerce pressão sobre nós - o tigre. Depois, há a reação de estresse, a
nossa resposta ao fator de estresse, neste caso, nossas reações psicológicas e
outras.
Hoje os tigres se foram e os estressantes modernos
surgem na forma de trabalho ou exames, falta de dinheiro, acidentes, doenças,
problemas de relacionamento e, até mesmo, poluentes e maus hábitos alimentares.
Em muitos casos, no entanto, as reações ainda são as mesmas: batimento cardíaco
acelerado, respiração ofegante ou sudorese e alerta geral. Não são reações
particularmente úteis, se estivermos no centro de uma reunião ou discutindo com
nosso parceiro.
Ainda assim, não há necessidade de nos preocuparmos
nesta fase, pois dispomos de um outro sistema, o sistema nervoso parassimpático
(SNP), projetado para fazer nosso corpo voltar ao seu estado normal. Quando o estressor
diminui, o SNP retarda a respiração e o coração, começa a decompor (ou quebrar)
os hormônios e, geralmente, nos leva a um estado mais relaxado.
Há duas coisas que podem acontecer e interferir
nesse processo. A primeira são os
estressores contínuos, como acordar com um alarme, engolir um café e sair
correndo para trabalhar; enfrentar as pressões constantes de prazos apertados
e, na hora do almoço, ter uma reunião; enfrentar o trânsito da hora de
pico ao voltar para casa e, ali chegando, encontrar as crianças
berrando e discutir com o parceiro – um dia completo! OK,
isso é um estereótipo. Mas o ponto que quero ressaltar é
que os estressores contínuos não nos permitem voltar ao estado de descontração normal. Nosso corpo
continua sempre excitado.
Muito tempo depois de ter aperfeiçoado o sistema de
luta e de fuga, o homem expandiu o cérebro e descobriu o pensamento e a linguagem. Como resultado,
podemos reviver situações estressantes
do passado, como uma discussão acirrada, um acidente ou até um grave trauma. Embora tais reprises possam
constituir uma tentativa de lidar com a situação,
em muitos casos elas funcionam como um estressor contínuo.
Do mesmo modo, temos a capacidade de antecipar uma situação
estressante, como uma palestra que teremos de dar no
trabalho ou uma visita ao dentista; essa
antecipação nos causa ansiedade ou medo e possivelmente nos
leva a passar as noites que antecedem o evento em claro.
O resultado de estarmos submetidos a muitos estressores
e a nossa capacidade de constantemente reproduzi-los mentalmente, nos mantém sempre
excitados e pode resultar numa reação de estresse crônico. Nesse caso, nossa
pressão arterial permanece elevada, o estado de excitação dificulta nosso sono
e ficamos cansados. Para fugir, algumas pessoas começam a beber ou a comer em
excesso, o que as torna cada vez mais irritadas e ansiosas.
Há muitas maneiras de evitar o estresse crônico,
que incluem remédios de vários tipos, exercícios e intervenções terapêuticas.
Uma vez que uma situação estressante pode ser agravada por pensamentos estressantes,
por emoções e suas sensações corporais, a maioria dos pontos levantados no
capítulo anterior se aplicam também aqui. Assim, observe sua mente ao enfrentar
situações estressantes, tais como durante uma entrevista de trabalho. Seus
pensamentos estão acelerados? Você se sente ansioso, relaxado? Quais são as
sensações corporais, agitação, aumento da frequência cardíaca?
Visto que o estresse é uma reação principalmente corporal,
tomar consciência dessas sensações e familiarizar-se com elas pode ser algo
particularmente útil. Simplesmente observe seu coração batendo mais rápido: “Noto
que meu coração está batendo mais rápido – até onde consigo sentir isso ao
longo do meu corpo... sinto alguma coisa aqui nas pernas...”. Seja curioso. Respire
nessas sensações, entre nelas.
Uma reação física é particularmente
importante. A respiração pode ser
observada e modificada, se esta for a nossa decisão. Se
nossa respiração se acelerou ou
praticamente desapareceu, poderemos decidir diminuir ou
acelerar o seu ritmo, ou tentaremos fazer a respiração igual (capítulo três).
Simplesmente observar a respiração
nos ajudará a voltar ao normal. Como o estresse está frequentemente associado com tensão, podemos optar por fazer um exercício de relaxamento (link de áudio) e, não há dúvida de que a
prática atenção consciente regular
vai nos ajudar a perceber o estresse mais rapidamente e a lidar com
ele. Se estivermos numa situação emocionalmente estressante, será útil notarmos a nossa
respiração ou a sensação
corporal.
Estresse – Resumo
• O estresse é uma parte normal da vida, mas o estresse crônico é um problema sério.
• Podemos ter muitos fatores de estresse, desde tigres, trabalho, relacionamento familiar, falta de dinheiro ou doenças. Eles resultam em reações de estresse, como o aceleramento do coração e da respiração, que nos preparam para lutar ou fugir.
• Em geral, voltamos naturalmente ao estado desacelerado.
• Uma reação de estresse crônico ocorre quando os estressores não diminuem.
• Isso pode ser causado por uma vida continuamente estressante ou por martelarmos mentalmente os estressores.
• Há muitas maneiras de evitarmos o estresse crônico, como remédios, exercícios e intervenções terapêuticas.
• Estarmos conscientes de todas as fases do estresse é muito útil, especialmente se observarmos as sensações corporais associadas e respiramos nelas.
9. Movimento consciente
A maior parte do trabalho que faço comigo e com os meus clientes consiste na atenção consciente respiratória ou corporal. No entanto, qualquer atividade mental ou física pode ser feita de maneira consciente e há muitas práticas de atenção consciente dedicadas ao movimento consciente, principalmente andar e yoga.
Meditação andando
Normalmente andamos por alguma razão. O corpo é o
motorista da mente. Se a mente está com pressa, o corpo corre. Se a mente for
atraída por algo que julga interessante, a cabeça gira e o corpo muda de
direção. E, é claro, todos os tipos de pensamentos passam pela mente, em geral,
sem que tenhamos a menor consciência disso.
Aprender a nos movimentar atenciosamente ajuda a
praticar a atenção consciente corporal e a usar isso na vida cotidiana.
A meditação andando é muito útil. Para fazer meditação andando,
ficamos em pé numa posição digna com a cabeça ligeiramente levantada. Deixamos o pescoço livre, de modo que a cabeça flutue
livremente para cima e para trás. Olhamos para frente, cerca de 45 graus abaixo
da horizontal. Tradicionalmente as mãos
devem ficar frouxamente unidas na frente, logo acima da barriga, mas podemos deixá-las cair se isso nos parecer mais confortável. Então,
caminhamos para a frente e coordenamos
o andar com a respiração. Preste
atenção num dos pés enquanto inspira e, vagarosamente, prestando atenção ao que
faz, abaixe o pé, do calcanhar ao dedão, enquanto expira. Estaremos andando bem
devagar. Eu levo cerca de cinco minutos
para dar a volta na sala. Essa é a meditação andando "oficial", que é praticada nos templos Zen e pode
ser útil como um exercício de atenção
consciente. Claro que você pode caminhar atenciosamente a qualquer
momento e em qualquer lugar, bastando para isso tomar consciência dos
movimentos de suas pernas e ao toque dos seus pés no chão. Thich
Nhat Hanh fala sobre as atitudes
a serem adotadas durante uma caminhada com atenção consciente (Thich Nhat Hanh 6mins walking meditation, Yuttadhammo
walking meditation
10min)
Ioga
Outro tipo de movimento consciente vem de práticas como o Ioga
ou Tai Chi. O
termo ioga sobrevive
em Inglês na palavra yoke (canga em português). Uma canga
é uma peça de madeira que mantém dois bois juntos, permitindo que trabalhem
como uma parelha. Do mesmo modo, o ioga refere-se à canga que une a mente e o corpo. As
posturas de ioga são projetados para tonificar cada parte do nosso corpo e para mantê-lo flexível. No ioga, quando você
entra numa postura, é convidado a permanecer nela com plena consciência. Experienciamos
o alongamento de um músculo da mesma maneira que experienciamos uma parte do
corpo no escaneamento corporal; sem julgar, permitindo simplesmente que a
experiência aconteça, sem forçar e, é claro, retornando para a sensação
corporal sempre que notamos alguma distração. Recomendo
que vocês procurem um professor de ioga perto de sua casa. Sugiro um que adote a abordagem
tradicional, que incentiva a consciência durante a sessão de ioga e a atenção
consciente no final, em vez da abordagem que enfatisa o exercício físico
(fitness). Thich Nhat Hanh desenvolveu uma série de mindfulness exercises.
Como sempre, qualquer movimento em qualquer momento pode ser ou não ser
feito com atenção consciente. Isso nos leva ao conceito de exercício
consciente.
Exercício
O exercício é uma maneira muito eficaz de melhorar o bem-estar e minorar os
problemas de depressão, ansiedade e estresse. Um estudo
que combinou muitas pesquisas sobre o efeito do exercício afirma uma relação
bem definida entre exercício e melhoria da saúde mental. Nossos corpos são
feitos para se movimentar e para trabalhar arduamente todos os dias. Quem
pratica exercícios físicos regularmente sabe o quanto eles são estimulantes, tanto
física quanto mentalmente. Em parte, isso acontece porque o cérebro "gosta"
das substâncias químicas chamadas endorfinas, que são produzidas quando nos
exercitamos.
Fazer esportes numa academia ou clube, andar a pé regularmente ou nadar são
atividades que podem aumentar imensamente seu bem-estar. Apresento a seguir
alguns exercícios para as pessoas que trabalham em locais fechados e ficam
sentadas muitas horas por dia.
Caminhe (ou faça jogging) até a próxima estação de metro ou trem. Estacione
seu carro uns 200 metros antes ou depois do seu local de trabalho. Deixe sua
comida longe da sua sala para ter que andar até lá, ou escolha um restaurante
um pouco mais afastado. Levante-se para responder e para falar ao telefone. Prefira
usar as escadas em vez do elevador. Pense em arrumar um contapassos e proponha-se
a dar de 6 a 10 mil passos por dia. Entregue suas mensagens pessoalmente e não
por e-mail! Amarre uma tira de borracha ao pé da mesa para fazer exercícios.
Use garrafas de água como halteres. Levante-se de hora em hora e movimente-se
pela sala. Você pode programar seu relógio para tocar a cada X minutos para
lembrá-lo de se exercitar (ou de praticar atenção consciente!): mindfulness clock. Troque sua cadeira por uma swiss ball. Por fim, meu filho me disse
que fazer reuniões em mesas altas e sem cadeiras, melhora a forma física e a
eficiência das reuniões! Os sites a seguir falam sobre o trabalho em escritório
e dão mais idéias. (Office exercise link 1 and
Office exercise link 2) Naturalmente, vamos querer fazer todos esses
exercícios com atenção consciente.
Será muito mais fácil fazermos excercícios regularmente se encontrarmos
algo que realmente nos agrada. Vale a pena gastar nosso tempo para descobrir o
que mais gostamos, por exemplo, esportes em equipe, corridas, natação, artes
marciais ou andar a pé. Muitas das dicas para o ioga podem ser aplicadas a
qualquer outro movimento. Em particular, devemos ser conscientes do nosso corpo
e, de tempos a tempos, entrar em sintonia com a nossa respiração.
Movimento Consciente – Resumo
• Os principais estilos "formais" de movimento
consciente são a meditação andando, o ioga e diversas outras práticas como o
Tai Chi.
• Movimentos e exercícios são muito importantes para o bem-estar.
• Existem muitas maneiras nos exercitarmos no trabalho.
• Todo movimento e exercício pode ser feito conscientemente.
• Movimentos e exercícios são muito importantes para o bem-estar.
• Existem muitas maneiras nos exercitarmos no trabalho.
• Todo movimento e exercício pode ser feito conscientemente.
10. Os benefícios mais
profundos da Atenção Consciente
Nos tempos medievais, pensava-se que a Terra era o centro do universo e que o sol e as demais estrelas passavam sobre ela a cada dia. Copérnico, Kepler e Galileu nos trouxeram para a moderna era científica, demonstrando que o Sol era o centro em torno do qual nós e os planetas orbitavam. Isso foi um choque, mas quando Newton completou o panorâma no século XVII adotamos uma nova visão do mundo. Aproximadamente há cem anos, os cientistas começaram a sondar o interior de um átomo. Durante a minha formação como físico nuclear, na década de sessenta, estudei tudo isso detalhadamente. A primeira surpresa foi descobrir a quantidade de espaço que existe dentro de um único átomo. A descoberta de que havia um núcleo central, denso e sólido, foi recebida com alívio. O átomo passou a se assemelhar ao sistema solar, com o qual os cientistas estavam habituados - uma imensa massa central, o sol (núcleo), e os corpos mais leves dos planetas (elétrons) em órbita. Algum tipo de ordem havia sido restabelecida! Mais tarde, conforme o núcleo foi sendo penetrado, sua solidez se evaporou. O núcleo mostrou-se como uma dança de partículas e energia, sem nenhuma substância. Não havia lugar firme em parte alguma. Nesse época, Albert Einstein explicava que tudo, especialmente o movimento, era relativo... De novo, surge a sensação de que não há nada no que se firmar.
Neste livro, assumimos que havia uma testemunha que observava nossas
experiências e era ocasionalmente invadida por pensamentos, emoções e sensações
corporais. Essa testemunha, ou self essencial, toma decisões e dirige a ação do
corpo. A maioria de nós, parece ter uma ideia intuitiva do nosso self
essencial; aquilo que é fundamental para nós, nosso sentido natural de que somos
algo. No século sexto AC, Sidarta Gotama, mais tarde conhecido como o Buda ou o
Desperto, iniciou uma busca para conhecer o eu essencial. Assim como muitos
outros haviam feito e continuam a fazer até hoje, ele se perguntava “quem eu
sou?”.
Sidarta examinou e penetrou o self cada vez mais profundamente, usando a
lente da meditação, e finalmente encontrou ... “nada”. Ele descobriu que não o
self não tem substância alguma e não existe lugar algum onde ele exista. A
experiência dos cientistas 2.400 anos mais tarde no mundo físico ecoam essa
busca no espaço interior. Quando olhamos cada vez mais de perto quem somos nós,
qualquer coisa substancial se evapora. De acordo com Buda, essa é a verdade que
descobrimos ao investigar. Muitas disciplinas modernas também destacam a mesma
ideia. O filósofo Dan Dennett, em Consciousness
Explained, argumenta
enfaticamente contra o dualismo, a ideia de que existem dois reinos, o
reino material e o reino da consciência. Por conseguinte, não
há lugar para um conceito como a visão tradicional da alma. Seus múltiplos
ensaios sobre a consciência demonstram que ela é constituída por várias
experiências sensoriais em curso no tempo real e questionam seriamente o
conceito de um self durável. Os cientistas do cérebro (neurobiologistas), que
mapeiam o cérebro por meio de escaneamento, também questionam a ideia de que
haja alguma possível localização para um self, ao menos no cérebro.
Eles realizaram algumas experiências intrigantes
(e aparentemente irritantes) que desafiam o conceito de livre arbítrio e
mostram que há uma parte do cérebro que é responsável pela experiência
religiosa. Estimular essa área induz esse sentimento de temor que temos ao
sentir que entramos em contato com algo muito profundo. A cientista cognitiva
Susan Blackmore explica como a ilusão de que há um self duradouro e consciente,
ou ego, leva ao sofrimento – algo que Buda dizia em seus sermões.
Embora possa soar um tanto assustador, as pessoas
que seguem esse caminho de auto observação ou de atenção consciente e experienciam
a subsequente dissolução do ego falam que sentem uma grande liberdade e a
capacidade de viver cada dia do geito que é, apenas cada dia, sem se
preocuparem demais. O resultado parece ser uma vida mais rica, experienciando
sensações e experiências plenamente, mas sem tantos sofrimentos nem a sensação
de estar sendo esmagado pelos acontecimentos. As pessoas fazem suas escolhas
movidas por compaixão em vez de interesse pessoal. Isso não é naturalmente um
processo de tudo ou nada, pois geralmente existem benefícios para você e para
os outros a serem encontrados em todas as etapas desse processo.
Nos
livros - A Path with Heart de Jack Kornfield e Everyday Zen de Charlotte Joko - encontraremos relatos dessa
jornada e de como viajar por ela. O australiano John Tarrant, em The Ligth
inside the Dark, descreve essa fascinante viagem misturando idéias orientais e
ocidentais.
Se depois de ter descoberto alguns dos benefícios da
atenção consciente e ter lido mais sobre o assunto, você decidir aprofundar-se,
uma boa idéia será aumentar sua meia hora de meditação diária e procurar um
professor. Os budistas são peritos no ensino da meditação e a maior parte das
tradições oferece cursos introdutórios. Uma vez que as práticas de meditação
variam bastante (desde o uso dos tambores e o canto na prática Tibetana às
tradições de insigh Zen mais austeras) é uma boa idéia tentar mais de uma
tradição até encontrar aquela que melhor lhe agrade. A meditação regular em
grupo com um bom professor pode ser um grande benefício e, geralmente, pode ser
feita sem que você se sinta aderindo a uma nova religião. No site http: // www.buddhanet.net/ encontrará muitos
recursos e meditações guiadas. Existem vários grupos de ioga e de meditação
cristã que enfatizam a meditação. Há também grupos não religiosos que praticam meditação.
Que
todos vocês encontrem os muitos benefícios da atenção consciente, tanto para si
próprios como para beneficiar os outros.
Os benefícios mais profundos
da atenção consciente
Meditação,
ciência e filosofia, todos parecem concordar com a idéia de que não existe um
self durador;
A
medida que continuamos a meditar, encontramos um espaço onde o ego é menos
importante;
O
resultado disso é viver mais plenamente e no momento presente;
A
vida continua com suas dificuldades e desafios tanto quanto antes, mas o
sofrimento associado a tudo isso pode ser muito menor;
A
compaixão aumenta;
Um
bom professor e um grupo para meditar podem ser muito úteis.
Termina
aqui Everyday Mindfulness. Contudo, por se tratar de um livro feito na
internet, ele está sendo constantemente renovado. Mantenha-se informado da
última versão no site www.stillmind.com.au/Mindfullnessboock.htm
A tradução do guia foi por Lúcia Amaral com autorização do autor e será postada progressivamente em 10 capítulos.