segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Resumo 1 Dialogo


AMIGOS – DIÁLOGOS DE CAPACITAÇÃO E MEDITAÇÃO
RESUMO DO PRIMEIRO ENCONTRO – 04/09/2011
Um novo paradigma de saúde
O Espaco Francisco é um espaço dedicado a saúde. O que é saúde? A medicina ocidental, ao lutar contra as doenças infecciosas, privilegiou a ideia de que o mal vem de um inimigo exterior (patogênico/vírus ou bactéria) mais do que de uma fraqueza de nossas defesas interiores. Ela subestimou as causas internas das falhas imunológicas, em particular as causas psíquicas que afetam o nosso organismo, como o stress e a depressão; falhas que já estão dentro de nós quando um vírus penetra nosso organismo. Os novos paradigmas de saúde a entendem como uma totalidade, onde a que acontece em nossa mente tem uma grande importância para nosso estado geral de saúde. 
Esse pensamento foi a base para o encontro de amizade que surgiu entre o Espaço Francisco e a ONG Meditadores. Nossa ONG emprega métodos, que unificam estudo, diálogo e meditação, contribuindo assim com a saúde da cidadania, com a recuperação da nossa humanidade, paz interior e capacidade de sermos amigos uns dos outros.
Introdução à prática de diálogos
Como aprendemos? Nossa capacidade de aprender está ligada, em grande parte, ao condicionamento (sendo o mais clássico o tipo Pavilov)
Prazer e dor, afinidade e estranheza, amor e rejeição, a percepção de amigos, inimigos e estranhos depende em grande parte das nossas crenças e preconceitos; ao sentir prazer, não estamos apenas reagindo aos aspectos superficiais de um objeto ou de uma pessoa (gosto, cheiro, aparência). Nosso prazer é influenciado pelo conhecimento e pelas crenças que temos. Exemplo: queijo com cheiro forte (cadáver de animal∕nojo; queijo caro∕salivação).
Como esse processo acontece dentro do nosso cérebro? “Ninguém sabe ao certo”, quem diz é o professor Paul Bloom, pesquisador da universidade de Yale. O que se sabe é que o conhecimento direciona nossas sensações de forma que sejam, ou não, prazerosas.
Entender isso faz tomar consciência de que somos mais livres e responsáveis pelo que nos acontece do que imaginamos. Livres porque podemos fazer opções e talvez mudar alguns condicionamentos ∕ reações que nos desagradam; e responsáveis, não no sentido de que somos culpados pelo que nos acontece, mas sim porque podemos exercer escolha; liberdade de fazer associações benéficas.
Prática do círculo de diálogo
Na experiência de hoje, vamos ouvir uma música numa língua estranha; sem entender as palavras. A seguir vamos associar a música a um conteúdo: texto da poetisa africana, lutadora pelos direitos civis das mulheres, Tolba Phanem. A seguir, praticar o círculo de diálogo.
Respiração e diálogo
Sentir o ar entrando e saindo dos pulmões (…) Perceba o ritmo e a troca. O ar sai pelas nossas narinas, se mistura com o ambiente, e entra novamente em nós. 
 Essa respiração se compara a um diálogo, os pensamentos em forma de palavras saem de nós, se misturam com os pensamentos dos outros e, novamente, entram em nós por meio do ouvir.
Explicações gerais: tema, diálogo e meditação
Tema: Quantos amigos temos? Zigmund Bauman, numa entrevista para o Café Filosófico, contou...
Mas será que amizade exige necessariamente o olho a olho? É possível ser amigo nas redes sociais? Em que momento conhecemos nossos amigos... na dor... ou será quando fazemos sucesso e eles, sem inveja, se regozijam conosco? Qual é o lugar do NÃO na amizade? Solidão é falta de amizade? Alguns dos assuntos que vamos tratar nesses 8 encontros.
Nós e os outros. Eu e o outro. Os outros estão dentro de nós, mais do que imaginamos. Somos feitos de outros. Literalmente, pedaço do pai + mãe. Somos feitos, existimos, graças aos cuidados dos outros. Sem os outros não sobreviríamos. Olhe para qualquer lado, pense no que for, e verá surgir os outros. Coisas simples como abrir uma torneira, sentar nessa cadeira ou no chão, são os outros. A comida que ingerimos e que alimentam as células do nosso corpo. Nosso corpo é feito de outros.
Somos feitos do olhar dos outros. Peter Senge (autor de A Quinta Disciplina), relata que em certas tribos do Natal, na África do Sul, o principal cumprimento é a expressão Sawu bonam que significa “eu vejo você”. E as pessoas que são assim saudadas, respondem dizendo Sikhona, “eu estou aqui”. Começamos a existir quando o outro nos vê. (descobrir e desenvolver “outridade”/ alteridade)
Diálogo e Meditação são métodos para descobrirmos a amizade dentro de nós. Vamos nos des-cobrir∕despir, para encontrar um potencial de amizade que já está dentro de nós.
Etimologia da palavra diálogo segundo David Bohm: Diálogo vem do grego diálogos. Logos significa palavra ou significado da palavra. Dia significa através. Dialogo é uma corrente de significados que flui entre nós e por nosso intermédio. Se o espírito de diálogo estiver presente, uma pessoa pode dialogar consigo mesma. Mas quando o diálogo fluir através do grupo, novos significados ou compreensões vão emergir. Exercitar nossa mente, flexibilizá-la para acolher novos conteúdos.
A dinâmica de um diálogo difere da relação Professor X Alunos. No diálogo todos participam e trocam idéias. A única exigência é que haja a vontade de ouvir e de entender aquilo que cada um diz e uma fala sincera e gentil.
Vou atuar como mediadora ou “levantadora de idéias”. Começo apresentando uma idéia. Pensamos e tentamos entender essa idéia, mesmo que ela nos pareça estranha ou contrarie aquilo que estamos acostumados a pensar. Depois de entender, formamos grupos menores e conversamos tranquilamente sobre nossas opiniões e o que foi dito. Todos podem falar ou silenciar. Uma conversa tranqüila; cada 1 pode ficar com a sua opinião se quiser. Não há conteúdo a ser passado, não há imposição. Voluntariamente estamos dialogando. Um “encontro de mundos”. Isso poderá propiciar o surgimento de novos conteúdos. Ginástica mental. Proponho que usemos o bastão, para simbolizar o empoderamento de quem fala e o respeito de quem ouve (cada grupo pode escolher na hora um objeto que sirva de bastão).
MEDITAÇÃO: No final de cada encontro, vou explicar e conduzir uma meditação. As meditações são budistas (Meditar na calma - de inspiração Zen; e Equanimidade, budismo mahayana).
Convidados especiais ...
Sessão 3-  18 setembro - Corporalidade na amizade. Com Silvia Bittencourt.

Sessão 6- 09 outubro - A amizade no mundo infantil. Com Lia Zatz.

Sessão 8- 23 outubro - Características emocionais que impedem a amizade. Com Maria Lucia Teixeira.

Prática: grupos de 5; escolher o bastão; respirar juntos; cada um pensa em algo que represente sua própria canção; quando o bastão passar diga ao grupo; ouvir a música novamente juntos).
MEDITAÇÃO: Sentar na calma
(ver item meditação)


A canção dos homens
“Em uma tribo na África do Sul, quando uma mulher está prestes a dar à luz, ela vai para a mata com outras mulheres e, juntas, elas rezam até aparecer a “canção da criança”.
Quando a criança nasce, a comunidade toda se reúne ao seu redor e lhe canta a sua canção.
Em todas as fases importantes de sua vida – quando começa a ser educada, quando se torna adulto ou no dia do seu casamento –, a pessoa ouve a sua canção.
Finalmente, quando se aproxima do momento de deixar esse mundo, a família e os amigos se aproximam e cantam novamente a sua canção, como o fizeram no seu nascimento.
Mas há uma outra ocasião muito especial em que os homens e mulheres dessa tribo ouvem a sua canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, os membros da tribo a levam para o centro do povoado e formam um círculo ao seu redor. Então, todos lhe cantam a sua canção.
A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo. Eles acreditam que é o amor e a lembrança da verdadeira identidade da pessoa.
Quando reconhecemos nossa própria canção, não temos desejos nem a necessidade de prejudicar ninguém.
Teus amigos conhecem a tua canção e a cantam quando você mesmo a esquece.
Aqueles que te  amam não podem ser enganados pelos erros que tu cometes ou pelas imagens escuras que, às vezes, mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado; reconhecem teu propósito quando estás confuso.”
Tolba Phanem
Poetisa Africana, lutadora pelos direitos civis das mulheres.
 
 

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