segunda-feira, 24 de outubro de 2011

 Domingo 23 foi o último dos oito encontros de Diálogos e Meditação sobre o tema: Amigos. Nossa convidada foi a terapeuta corporal Maria Lucia Teixeira que nos proporcionou uma vivência sobre as características emocionais que favorecem ou que prejudicam os vínculos de amizade.

***


Gilberto Dimenstein publicou na Folha de SP um interessante artigo sobre amizade on-line: Mais estúpidos ou inteligentes? Ele diz que o número de amigos no Facebook não mede apenas popularidade. Mede também o tamanho de áreas do cérebro associadas a uma rede que compreende memória, emoções e interações sociais. Quem quiser ler mais pode acessar: 

www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/

***
Domingo dia 30: encerramento
das 17 às 18 - diálogo sobre nossa pesquisa: o que é amizade para você? 
às 18 - curta metragem All you need is love. 


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Social media e a ditadura da felicidade
Pela lente da social media, a vida se transformou numa edição distorcida positivamente de si mesma.
Uma certa coisa vinha me incomodando recentemente. Rodeado de Flickrs, Facebooks e depois Instagrams, me batia uma certa angústia depois de ficar passeando um tanto pelas vidas dos meu social friends. Eu ali, olhando aquilo tudo e me sentindo meio estranho, talvez até meio deprê. Esse contato bacana com tanta gente e eu me sentindo assim. Mas por quê?
Falta de ‘amigos’?
Acho que não. Eu na verdade venho gerenciando e tentando diminuir a quantidade de contatos que tenho nestes pontos todos. Gerenciar social friends virou a necessidade mais recente, não é mesmo? Google+ querendo se diferenciar por melhores ferramentas pra organizar seus ‘amigos’.
Falta de ver os amigos pessoalmente?
Também não acho que seja o caso. Para aqueles amigos que moram longe e não dá pra ver, acompanhamos a vida um do outro, ao menos um pouquinho, pelas redes. Os que estão perto, combinamos um monte pelas redes e temos até nos visto até mais do que antes. (Sem falar que essa história de vida virtual e real separadas faz cada vez menos sentido, mas isso é assunto para outro texto.)
Excesso de informação?
Sim, pode ser. O grande vilão, a info-obesidade, a falha do filtro, o dia só tem 24 horas e todas aquelas coisas que a gente vê ou fala em palestras. Mas acho também que não…
Então o que seria? Qual o motivo dessa angústia?
Há algum tempo venho brincando e dizendo que olhar o Instagram é como olhar a revista Caras, só que melhor. São todos nossos amigos e todos estão lindos, felizes e sorridentes, em lugares incríveis e com fotos muito mais bonitas por causa dos filtros maravilhosos do programa que transformam qualquer instantânea lavada numa foto espetacular.
A partir dessa observação é que a coisa começou a clicar.
Londres, Paris, Grécia, Roma, Cannes, San Francisco, Disney. Buenos Aires. Egito, Morro Dois Irmãos, Búzios, passeios de veleiro, andar de balão, madrugada no Rock in Rio, checkin naquele restaurante incrível que acabou de abrir, checkin em todos aqueles restaurantes incríveis.
Uma festa incrível, modelos incríveis, óculos incríveis, roupas incríveis, filhos incríveis, almoço de família maravilhoso, o cachorro mais fofo do mundo, o gato dormindo ao sol, sorrisos, muito sorrisos, felicidade, muita felicidade.
Está aí a minha angústia.
Toda essa felicidade, toda essa coisa incrível e linda, todos esses lugares maravilhosos, ainda mais belos e ‘instagramados’ era o que estava me deixando angustiado.
Mas o que estaria acontecendo comigo? Recalque? Inveja disso tudo? Por que isso me deixaria angustiado e não feliz? Não seria legal ver essa felicidade toda dos meus amigos?
Se a vida fosse assim o tempo todo, seria legal sim. Mas vista pela lente da social media, a vida se transformou numa edição distorcida positivamente de si mesma e é isso que vem me incomodando.
Quando foi que você viu uma foto de alguém de pijama no Facebook? Não uma foto sexy, de pijama sexy. Uma foto sem graça, mal iluminada de alguém de pijama velho? Um vídeo de 5 minutos de alguém passando fio dental e escovando os dentes sem nenhuma mensagem ou sacadinha? Uma discussão realmente sem importância de um casal? Uma foto sem filtro de uma caixa de sabão em pó? Um checkin na escola de alguém que foi deixar o filho de manhã na escola? Alguém dizendo que comeu pão de forma com margarina no café? Comemorando que está indo de ônibus trabalhar naquele dia? Foto da oficina mecânica onde o carro foi fazer uma revisão regular?
Na edição da vida em que transformamos a social media, não há espaço para o comum, o mundano, o regular, o cotidiano, ou se quisermos radicalizar, para a ‘vida’ como ela realmente é: às vezes boa, às vezes ruim, às vezes péssima, outras fantástica.
A vida vista pela social media é feliz, linda e instagramada em lugares incríveis, 98% do tempo (nos outros 2% estamos xingando no Twitter). Só mostramos aquilo que gostamos demais, os momentos demais, as comidas demais, através de fotos demais com os filtros mais bacanas. É basicamente uma edição bacana da realidade que deixa de fora justamente tudo o que não é lindo e incrível.
E como não acompanhamos isso tudo com um disclaimer na cabeça que diz “Os fatos e fotos aqui apresentados representam apenas o lado bacana da vida das pessoas, mas todo mundo tem seus bons e maus momentos”, a gente facilmente acaba por achar que a vida de todo mundo é 100% perfeita, menos a nossa, e isso certamente é motivo pra qualquer um se angustiar demais.
Porque não importa o quão bacana seja a sua vida, ou o que você tenha feito de legal num determinado dia. Nada do que você fez, tem ou é poderá nunca se comparar com todo esse mundo perfeito, incrível, de gente feliz e lugares extraordinários que é o coletivo de informações que chegam dos nossos social friends.
É preciso se dar conta que todo mundo tem o seu lado normal mas que simplesmente prefere não mostrar porque considera que não tem graça. E com razão, afinal qual é a graça de publicar um vídeo de alguém passando fio dental?
Talvez o Facebook e, principalmente, o Instragram realmente devessem colocar o disclaimer. Certamente ajudaria a diminuir essa angústia.
‘Desencana’ você vai dizer. ‘Você é que está estressado demais.’
Aham, pode ser.
[Webinsider]
05 de outubro de 2011, 19:39
Michel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é publicitário e especialista em mídias interativas.
Fonte: http://webinsider.uol.com.br/2011/10/05/social-media-e-a-ditadura-da-felicidade/

segunda-feira, 17 de outubro de 2011



Amigos on-line
(resumo, domingo 16 outubro 2001)

Introdução
Neste quinto encontro vamos tratar da amizade on-line, pros e contras.
Amizade é algo realmente importante. Em 1937, na Universidade de Harvard, começou o maior estudo já realizado sobre a saúde humana. O projeto, que continua até hoje, acompanha milhares de pessoas. Voluntários de todas as idades e perfis, que têm sua vida analisada e passam por entrevistas e exames periódicos que tentam responder à seguinte pergunta: o que faz uma pessoa ser saudável. A conclusão é surpreendente. O fator que mais influi no nível de saúde das pessoas não é a riqueza, a genética, a rotina nem a alimentação. São os amigos.

Importante dialogar sobre nossa concepção de amizade.

Dois aspectos: qualidade e quantidade.
-       percepção do outro
-       romper barreiras
-       superar aparências
-       desenvolver maneiras especiais de ver, ouvir, tocar, sentir o outro
-       aprender a ler sinais não-verbais da emoção
-       a cegueira que a convivência ocasiona nos relacionamentos
Para trabalhar esses aspectos, dois tipos de meditação_ autoconhecimento e equanimidade.

Diferença entre nossos amigos reais e desenvolver uma attitude amigável por todos os seres vivos. Amigos são em número finito? Diz um estudo que o cérebro comporta no máximo 150 amigos, pois é o que o cérebro consegue administrar ao mesmo tempo. São as pessoas cujos nomes, rostos e características você consegue memorizar e acionar caso seja necessário.

Se esse estudo estiver certo, podemos concluir que o número de amigos que temos se reduz a um círculo limitado, finito. Contudo, podemos atingir um círculo infinito de seres desenvolvendo atitudes amigáveis em relação a todos.

No Brasil, segundo pesquisa do IBOPE (2011), 77,8 milhões de pessoas têm acesso à internet. Gostemos ou não, a influência da internet e das redes como Orkut e Facebook em nossas vidas é um fato. Como ficam as amizades On-line?

Vídeos:
Você quer ser meu amigo?
Desconectar-se para conectar-se

O que diz Zygmunt Bauman

Discussão e Meditação

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Amigos, Diálogos de capacitação e meditação.
No dia 16 de outubro, o assunto será Amizade On-line. Vou apresentar a opinião de Zigmund Bauman como ponto de partida para nosso diálogo. 17 h Rua Arapiraca, 360 - Vila Madalena.


Dia 09, conversamos com a escritora Lia Zatz. Ela apresentou 4 livros que serviram de base para o diálogo:

Nique toda chique
autora Jane O`Connor
ilustrador Robin Preiss Glasser
Editora Rocco

Not Now Bernard
de David McKee
esse já existe em português, acho que é da Martins Fontes

Quando a mãe grita
de Jutta Bauer
o original é alemão, mas usei uma versão de Portugal (Ana Paula Faria - Editora)

A caminho de casa
autora Libby Hathorn
ilustrador Gregory Rogers
Ed. Martins Fontes


segunda-feira, 3 de outubro de 2011


Diálogo – domingo 02-10-11
O que é um amigo?  A pergunta está em aberto. Talvez não haja uma resposta única. Em geral, trata-se da nossa relação com o outro. Nesses encontros, estamos enfatizando alguns aspectos que bloqueiam essa relação, dificultando-a ou até impedindo que ela se inicie. As aparências enganam e as coisas estão em constante mudança. Assim, precisamos tentar enxergar além das aparências. Isso vai abalar nossos preconceitos e expandir nossa capacidade de ser amigo dos outros. Outro ponto importante é dar uma chance a nós mesmos e aos outros – acreditar em nós. As habilidades que estamos treinando são: aprender a ouvir e a falar (por meio da prática do diálogo); vivenciar cada momento e desenvolver equanimidade (por meio da meditação).
Hoje vou apresentar  alguns aspectos do trabalho de Kay Pranis sobre os círculos de diálogo. Leitura: Processos Circulares, Kay Pranis, Editora Palas Athena
Os círculos de diálogo não buscam levar o grupo a um consenso ou a sanar rupturas graves nos relacionamentos. Simplesmente permitem que todos falem sobre determinado assunto a partir de sua perspectiva. A partilha de pontos de vistas diferentes aumenta a compreensão sobre a questão e pode melhorar os relacionamentos em profundidade (…)
O bastão da fala é um elemento de vital importância para criar um espaço onde os participantes consigam falar a partir de um recôndito íntimo de verdade. Ele dá a segurança de que não serão interrompidos, de que poderão fazer pausas para encontrar as palavras que expressem aquilo que está em seu coração e sua mente, e que elas serão integral e respeitosamente ouvidas. O bastão da fala desacelera o ritmo da conversa e estimula interações refletidas e cuidadosas entre os participantes. (estamos usando aqui um pau-de-canela).
O bastão gera um nível de ordenação do dialogo que permite a expressão de emoções difíceis sem que o processo entre numa espiral de descontrole. É um poderoso equalizador. Permite que cada participante tenha igual oportunidade de falar (...) Leitura de outros trechos.
Meditação
1- Introdução: Meditação e felicidade – Richard Davidson- Universidade de Wisconsin em Madison. É o Director do Laboratório de Neurociência Afetiva, Waisman Laboratório para Imagens do Cérebro e o Centro para Investigar Mentes Saudáveis.

Em laboratórios de todo o mundo, o estudo do cérebro entrou numa fase detalhada, que permite chegar a conclusões sobre o grau de FELICIDADE das pessoas. E estes esforços levaram os investigadores a surpreendentes análises comparativas.

O homem mais feliz do planeta hoje, segundo um recente experimento científico, é um indivíduo que vive em uma cela de dois por dois, não é dono nem executivo de nenhuma das companhias da Fortune 500, não dependente de celular, nem dirige um BMW, não veste Armani nem Hugo Boss, ignora Prozac, Viagra ou êxtasis, nem bebe Coca-Cola.

A causa desse resultado, diz o chefe do estudo, Richard J. Davidson, e não é um mistério nem graça divina:  “ Chama-se plasticidade mental. É a capacidade humana de modificar fisicamente o cérebro por meio dos pensamentos que escolhemos ter. Igual aos músculos do corpo, o cérebro desenvolve e fortalece os neurônios mais utilizados. Pensamentos negativos aumentam a atividade no córtex direito do cérebro e em conseqüência disso sentimos mais ansiedade, depressão e hostilidade. Em outras palavras: mais infelicidade auto-gerada.” “ Por outro lado, quem desenvolve bons pensamentos e uma visão amorosa da vida, exercita o córtex esquerdo, elevando emoções prazerosas e felicidade.”

Diz ainda: “ O resultado desse estudo pode mudar por completo a visão que temos do cérebro humano. São enormes as suas implicações.” “ Entre estados de meditação, as ondas cerebrais permanecem intensas, sugerindo que é possível treinar o cérebro e controlar as emoções, mudando a estrutura da própria mente. A meditação pode mudar as funções cerebrais de forma durável. Tudo indica que o cérebro pode ser treinado durante a idade adulta e podemos até modificar a sua organização interna, algo que experiências com músicos também já tinham demonstrado.”

Richard adverte que não se trata de decidirmos que vamos ver a vida cor de rosa de um dia para outro. O que podemos fazer é trabalhar sistematicamente para debilitar os músculos que causam infelicidade; o mesmo que temos fortalecido tanto ao nos acreditar vítimas do passado, de nossos pais ou do nosso meio. E paralelamente, começar a exercitar os músculos mentais que nos tornam absoluta e diretamente responsáveis pela nossa própria felicidade.

2- Breve explicação da meditação Sentar na Calma.
3- Explicação da meditação em Equanimidade.
4- Meditação Guiada (15 minutos)
Incomensurável equanimidade

1- A maioria dos nossos problemas pessoais é causada pela nossa
mente tendenciosa. Pensamos que nós, nossa família e nossos
amigos somos mais importantes que os outros. Apreciamos aqueles que
estão mais próximos de nós e defendemos seus interesses; no entanto, negligenciamos os demais seres e menosprezamos seus interesses.

2- Quando tivermos equanimidade, veremos todos os seres como igualmente preciosos e, em consequência disso, superaremos muitos dos nossos problemas atuais.

3- Meditar em equanimidade é muito benéfico, para nós e também para os outros. Aumenta nossa felicidade e melhora todos os nossos relacionamentos. Cria a base para nos sentirmos em paz, aconteça o que acontecer – quer chova, quer faça sol.

Contemple:
Você está sentado em postura de meditação e, ao seu redor, estão milhares de seres vivos, que preenchem todo o espaço. Perceba sua mãe à sua esquerda, seu pai à sua direita. Em torno de vocês, em vários círculos concêntricos, infinitos outros seres.

Alguns aparecem como amigos, outros como inimigos e a maioria como estranhos. Vamos ultrapassar essas aparências. Todos eles são apenas seres vivos que desejam ser felizes e querem evitar o sofrimento. Nesse sentido, são todos iguais.
Além disso, eles mudam de posição: amigos às vezes se tornam inimigos; inimigos se tornam amigos; estranhos podem se tornar amigos ou inimigos. No entanto, todos eles continuam a ser iguais – desejam ser felizes e querem evitar o sofrimento.

Para gerar equanimidade, pense: Quando olho para um céu azul, completamente sem nuvens, não tenho razão alguma para preferir o leste ao oeste ou o oeste ao leste. Do mesmo modo, ao olhar para os seres vivos, não tenho razão alguma para separá-los e discriminá-los como amigos, inimigos e estranhos. Todos eles são apenas seres vivos, querem ser felizes tanto quanto eu; querem evitar o sofrimento, tanto quanto eu.
Sinta, agora, que todos os seres são igualmente importantes para você. Como um céu completamente azul, livre de nuvens.

Próximo dialogo: 09 de outubro, 17 horas.
Convidada: Lia Zatz
Nasceu em São Paulo, em 1952, graduou-se em filosofia pela Universidade de Paris-Nanterre, e cursou pós-graduação em ciências políticas na Universidade de São Paulo. Trabalha na área da literatura infantil e infanto-juvenil desde 1987. Seu desafio maior nestes últimos anos tem sido não só escrever bons livros para crianças mas também trabalhar para que os livros e a leitura não sejam um privilégio de poucos mas um direito de todos.