Diálogo – domingo
02-10-11
O que é um amigo? A pergunta está em aberto. Talvez não
haja uma resposta única. Em geral, trata-se da nossa relação com o outro.
Nesses encontros, estamos enfatizando alguns aspectos que bloqueiam essa relação,
dificultando-a ou até impedindo que ela se inicie. As aparências enganam e as
coisas estão em constante mudança. Assim, precisamos tentar enxergar além das
aparências. Isso vai abalar nossos preconceitos e expandir nossa capacidade de
ser amigo dos outros. Outro ponto importante é dar uma chance a nós mesmos e
aos outros – acreditar em nós. As habilidades que estamos treinando são:
aprender a ouvir e a falar (por meio da prática do diálogo); vivenciar cada
momento e desenvolver equanimidade (por meio da meditação).
Hoje vou
apresentar alguns aspectos do
trabalho de Kay Pranis sobre os círculos de diálogo. Leitura: Processos
Circulares, Kay Pranis, Editora Palas Athena
Os círculos de diálogo
não buscam levar o grupo a um consenso ou a sanar rupturas graves nos
relacionamentos. Simplesmente permitem que todos falem sobre determinado
assunto a partir de sua perspectiva. A partilha de pontos de vistas diferentes
aumenta a compreensão sobre a questão e pode melhorar os relacionamentos em
profundidade (…)
O bastão da fala é um elemento
de vital importância para criar um espaço onde os participantes consigam falar
a partir de um recôndito íntimo de verdade. Ele dá a segurança de que não serão
interrompidos, de que poderão fazer pausas para encontrar as palavras que
expressem aquilo que está em seu coração e sua mente, e que elas serão integral
e respeitosamente ouvidas. O bastão da fala desacelera o ritmo da conversa e
estimula interações refletidas e cuidadosas entre os participantes. (estamos
usando aqui um pau-de-canela).
O bastão gera um nível
de ordenação do dialogo que permite a expressão de emoções difíceis sem que o
processo entre numa espiral de descontrole. É um poderoso equalizador. Permite
que cada participante tenha igual oportunidade de falar (...) Leitura de outros
trechos.
Meditação
1- Introdução: Meditação e felicidade – Richard Davidson-
Universidade de Wisconsin em Madison. É o Director do Laboratório de
Neurociência Afetiva, Waisman Laboratório para Imagens do Cérebro e o Centro
para Investigar Mentes Saudáveis.
Em laboratórios de todo o
mundo, o estudo do cérebro entrou numa fase detalhada, que permite chegar a
conclusões sobre o grau de FELICIDADE das pessoas. E estes esforços levaram os
investigadores a surpreendentes análises comparativas.
O homem mais feliz do
planeta hoje, segundo um recente experimento científico, é um indivíduo que
vive em uma cela de dois por dois, não é dono nem executivo de nenhuma das
companhias da Fortune 500, não dependente de celular, nem dirige um BMW, não
veste Armani nem Hugo Boss, ignora Prozac, Viagra ou êxtasis, nem bebe
Coca-Cola.
A causa desse resultado,
diz o chefe do estudo, Richard J. Davidson, e não é um mistério nem graça
divina: “ Chama-se plasticidade mental. É a capacidade humana de
modificar fisicamente o cérebro por meio dos pensamentos que escolhemos ter.
Igual aos músculos do corpo, o cérebro desenvolve e fortalece os neurônios mais
utilizados. Pensamentos negativos aumentam a atividade no córtex direito do
cérebro e em conseqüência disso sentimos mais ansiedade, depressão e
hostilidade. Em outras palavras: mais infelicidade auto-gerada.” “ Por outro
lado, quem desenvolve bons pensamentos e uma visão amorosa da vida, exercita o
córtex esquerdo, elevando emoções prazerosas e felicidade.”
Diz ainda: “ O resultado
desse estudo pode mudar por completo a visão que temos do cérebro humano. São
enormes as suas implicações.” “ Entre estados de meditação, as ondas cerebrais
permanecem intensas, sugerindo que é possível treinar o cérebro e controlar as
emoções, mudando a estrutura da própria mente. A meditação pode mudar as
funções cerebrais de forma durável. Tudo indica que o cérebro pode ser treinado
durante a idade adulta e podemos até modificar a sua organização interna, algo
que experiências com músicos também já tinham demonstrado.”
Richard adverte que não
se trata de decidirmos que vamos ver a vida cor de rosa de um dia para outro. O
que podemos fazer é trabalhar sistematicamente para debilitar os músculos que
causam infelicidade; o mesmo que temos fortalecido tanto ao nos acreditar
vítimas do passado, de nossos pais ou do nosso meio. E paralelamente, começar a
exercitar os músculos mentais que nos tornam absoluta e diretamente
responsáveis pela nossa própria felicidade.
2- Breve explicação da
meditação Sentar na Calma.
3- Explicação da
meditação em Equanimidade.
4- Meditação Guiada (15
minutos)
Incomensurável equanimidade
1- A maioria dos nossos problemas pessoais é causada
pela nossa
mente tendenciosa. Pensamos que nós, nossa família e nossos
amigos somos mais importantes que os outros. Apreciamos aqueles que
estão mais próximos de nós e defendemos seus interesses; no entanto, negligenciamos os demais seres e menosprezamos seus interesses.
mente tendenciosa. Pensamos que nós, nossa família e nossos
amigos somos mais importantes que os outros. Apreciamos aqueles que
estão mais próximos de nós e defendemos seus interesses; no entanto, negligenciamos os demais seres e menosprezamos seus interesses.
2- Quando tivermos equanimidade, veremos todos os
seres como igualmente preciosos e, em consequência disso, superaremos muitos
dos nossos problemas atuais.
3- Meditar em equanimidade é muito benéfico, para
nós e também para os outros. Aumenta nossa felicidade e melhora todos os nossos
relacionamentos. Cria a base para nos sentirmos em paz, aconteça o que acontecer
– quer chova, quer faça sol.
Contemple:
Você está sentado em postura de meditação e, ao seu
redor, estão milhares de seres vivos, que preenchem todo o espaço. Perceba sua
mãe à sua esquerda, seu pai à sua direita. Em torno de vocês, em vários
círculos concêntricos, infinitos outros seres.
Alguns aparecem como amigos, outros como inimigos e
a maioria como estranhos. Vamos ultrapassar essas aparências. Todos eles são
apenas seres vivos que desejam ser felizes e querem evitar o sofrimento. Nesse
sentido, são todos iguais.
Além disso, eles mudam de posição: amigos às vezes
se tornam inimigos; inimigos se tornam amigos; estranhos podem se tornar amigos
ou inimigos. No entanto, todos eles continuam a ser iguais – desejam ser
felizes e querem evitar o sofrimento.
Para gerar equanimidade, pense: Quando olho para um
céu azul, completamente sem nuvens, não tenho razão alguma para preferir o
leste ao oeste ou o oeste ao leste. Do mesmo modo, ao olhar para os seres
vivos, não tenho razão alguma para separá-los e discriminá-los como amigos,
inimigos e estranhos. Todos eles são apenas seres vivos, querem ser felizes
tanto quanto eu; querem evitar o sofrimento, tanto quanto eu.
Sinta, agora, que todos os seres são igualmente
importantes para você. Como um céu completamente azul, livre de nuvens.
Próximo dialogo: 09 de outubro, 17 horas.
Convidada: Lia Zatz
Nasceu em São Paulo, em 1952, graduou-se em
filosofia pela Universidade de Paris-Nanterre, e cursou pós-graduação em ciências
políticas na Universidade de São Paulo. Trabalha na área da literatura infantil
e infanto-juvenil desde 1987. Seu desafio maior nestes últimos anos tem sido não
só escrever bons livros para crianças mas também trabalhar para que os livros e
a leitura não sejam um privilégio de poucos mas um direito de todos.
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