segunda-feira, 3 de outubro de 2011


Diálogo – domingo 02-10-11
O que é um amigo?  A pergunta está em aberto. Talvez não haja uma resposta única. Em geral, trata-se da nossa relação com o outro. Nesses encontros, estamos enfatizando alguns aspectos que bloqueiam essa relação, dificultando-a ou até impedindo que ela se inicie. As aparências enganam e as coisas estão em constante mudança. Assim, precisamos tentar enxergar além das aparências. Isso vai abalar nossos preconceitos e expandir nossa capacidade de ser amigo dos outros. Outro ponto importante é dar uma chance a nós mesmos e aos outros – acreditar em nós. As habilidades que estamos treinando são: aprender a ouvir e a falar (por meio da prática do diálogo); vivenciar cada momento e desenvolver equanimidade (por meio da meditação).
Hoje vou apresentar  alguns aspectos do trabalho de Kay Pranis sobre os círculos de diálogo. Leitura: Processos Circulares, Kay Pranis, Editora Palas Athena
Os círculos de diálogo não buscam levar o grupo a um consenso ou a sanar rupturas graves nos relacionamentos. Simplesmente permitem que todos falem sobre determinado assunto a partir de sua perspectiva. A partilha de pontos de vistas diferentes aumenta a compreensão sobre a questão e pode melhorar os relacionamentos em profundidade (…)
O bastão da fala é um elemento de vital importância para criar um espaço onde os participantes consigam falar a partir de um recôndito íntimo de verdade. Ele dá a segurança de que não serão interrompidos, de que poderão fazer pausas para encontrar as palavras que expressem aquilo que está em seu coração e sua mente, e que elas serão integral e respeitosamente ouvidas. O bastão da fala desacelera o ritmo da conversa e estimula interações refletidas e cuidadosas entre os participantes. (estamos usando aqui um pau-de-canela).
O bastão gera um nível de ordenação do dialogo que permite a expressão de emoções difíceis sem que o processo entre numa espiral de descontrole. É um poderoso equalizador. Permite que cada participante tenha igual oportunidade de falar (...) Leitura de outros trechos.
Meditação
1- Introdução: Meditação e felicidade – Richard Davidson- Universidade de Wisconsin em Madison. É o Director do Laboratório de Neurociência Afetiva, Waisman Laboratório para Imagens do Cérebro e o Centro para Investigar Mentes Saudáveis.

Em laboratórios de todo o mundo, o estudo do cérebro entrou numa fase detalhada, que permite chegar a conclusões sobre o grau de FELICIDADE das pessoas. E estes esforços levaram os investigadores a surpreendentes análises comparativas.

O homem mais feliz do planeta hoje, segundo um recente experimento científico, é um indivíduo que vive em uma cela de dois por dois, não é dono nem executivo de nenhuma das companhias da Fortune 500, não dependente de celular, nem dirige um BMW, não veste Armani nem Hugo Boss, ignora Prozac, Viagra ou êxtasis, nem bebe Coca-Cola.

A causa desse resultado, diz o chefe do estudo, Richard J. Davidson, e não é um mistério nem graça divina:  “ Chama-se plasticidade mental. É a capacidade humana de modificar fisicamente o cérebro por meio dos pensamentos que escolhemos ter. Igual aos músculos do corpo, o cérebro desenvolve e fortalece os neurônios mais utilizados. Pensamentos negativos aumentam a atividade no córtex direito do cérebro e em conseqüência disso sentimos mais ansiedade, depressão e hostilidade. Em outras palavras: mais infelicidade auto-gerada.” “ Por outro lado, quem desenvolve bons pensamentos e uma visão amorosa da vida, exercita o córtex esquerdo, elevando emoções prazerosas e felicidade.”

Diz ainda: “ O resultado desse estudo pode mudar por completo a visão que temos do cérebro humano. São enormes as suas implicações.” “ Entre estados de meditação, as ondas cerebrais permanecem intensas, sugerindo que é possível treinar o cérebro e controlar as emoções, mudando a estrutura da própria mente. A meditação pode mudar as funções cerebrais de forma durável. Tudo indica que o cérebro pode ser treinado durante a idade adulta e podemos até modificar a sua organização interna, algo que experiências com músicos também já tinham demonstrado.”

Richard adverte que não se trata de decidirmos que vamos ver a vida cor de rosa de um dia para outro. O que podemos fazer é trabalhar sistematicamente para debilitar os músculos que causam infelicidade; o mesmo que temos fortalecido tanto ao nos acreditar vítimas do passado, de nossos pais ou do nosso meio. E paralelamente, começar a exercitar os músculos mentais que nos tornam absoluta e diretamente responsáveis pela nossa própria felicidade.

2- Breve explicação da meditação Sentar na Calma.
3- Explicação da meditação em Equanimidade.
4- Meditação Guiada (15 minutos)
Incomensurável equanimidade

1- A maioria dos nossos problemas pessoais é causada pela nossa
mente tendenciosa. Pensamos que nós, nossa família e nossos
amigos somos mais importantes que os outros. Apreciamos aqueles que
estão mais próximos de nós e defendemos seus interesses; no entanto, negligenciamos os demais seres e menosprezamos seus interesses.

2- Quando tivermos equanimidade, veremos todos os seres como igualmente preciosos e, em consequência disso, superaremos muitos dos nossos problemas atuais.

3- Meditar em equanimidade é muito benéfico, para nós e também para os outros. Aumenta nossa felicidade e melhora todos os nossos relacionamentos. Cria a base para nos sentirmos em paz, aconteça o que acontecer – quer chova, quer faça sol.

Contemple:
Você está sentado em postura de meditação e, ao seu redor, estão milhares de seres vivos, que preenchem todo o espaço. Perceba sua mãe à sua esquerda, seu pai à sua direita. Em torno de vocês, em vários círculos concêntricos, infinitos outros seres.

Alguns aparecem como amigos, outros como inimigos e a maioria como estranhos. Vamos ultrapassar essas aparências. Todos eles são apenas seres vivos que desejam ser felizes e querem evitar o sofrimento. Nesse sentido, são todos iguais.
Além disso, eles mudam de posição: amigos às vezes se tornam inimigos; inimigos se tornam amigos; estranhos podem se tornar amigos ou inimigos. No entanto, todos eles continuam a ser iguais – desejam ser felizes e querem evitar o sofrimento.

Para gerar equanimidade, pense: Quando olho para um céu azul, completamente sem nuvens, não tenho razão alguma para preferir o leste ao oeste ou o oeste ao leste. Do mesmo modo, ao olhar para os seres vivos, não tenho razão alguma para separá-los e discriminá-los como amigos, inimigos e estranhos. Todos eles são apenas seres vivos, querem ser felizes tanto quanto eu; querem evitar o sofrimento, tanto quanto eu.
Sinta, agora, que todos os seres são igualmente importantes para você. Como um céu completamente azul, livre de nuvens.

Próximo dialogo: 09 de outubro, 17 horas.
Convidada: Lia Zatz
Nasceu em São Paulo, em 1952, graduou-se em filosofia pela Universidade de Paris-Nanterre, e cursou pós-graduação em ciências políticas na Universidade de São Paulo. Trabalha na área da literatura infantil e infanto-juvenil desde 1987. Seu desafio maior nestes últimos anos tem sido não só escrever bons livros para crianças mas também trabalhar para que os livros e a leitura não sejam um privilégio de poucos mas um direito de todos.

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